Quarta-feira, 22 de Abril de 2015

 

 

 

Cuidemos do nosso Planeta!

Feliz Dia da Terra!

 

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Let's take care of our Planet!

Happy Earth Day!

 

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"E não te esqueças de que a Terra gosta de sentir os teus pés descalços

e de que o vento anseia por brincar com os teus cabelos."

Kahlil Gibran
 

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"Forget not that the earth delights to feel your bare feet

and the winds long to play with your hair."

Kahlil Gibran

 

 

 

 

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Imagem: ESA/Eumetsat  |  Image: ESA/Eumetsat

 

 

MSG-3 (Meteosat-10) captured this image of Earth on 22 April 2015 with its Spinning Enhanced Visible and Infrared Imager (SEVIRI).

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Esta imagem da Terra foi capturada hoje, 22 de abril 2015, pelo Satélite Meteosat-10 (também designado por MSG-3), através do seu sensor de recolha de imagem no Visível e Infravermelho (SEVIRI).

 

 

 

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Terça-feira, 4 de Março de 2014

 

 

 

Actualmente, precisamos desta canção outra vez.

E agora, não só para África.



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Nowadays, we need this song again.

And this time, not only for Africa.

 

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USA for Africa - We Are The World - Original Music Video, 1985 

 

 

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Quinta-feira, 13 de Junho de 2013

 

 

A cidade egípcia perdida há 1200 anos foi finalmente encontrada.

 

 

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HERACLEION_2
 
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 Heracleion excavations, ©Franck Goddio/Hilti Foundation

 

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 Heracleion excavations 2, ©Franck Goddio/Hilti Foundation
 
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Ver mais AQUI

 

 

 

 

 

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Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2012

 

 

Apollo 17 'regressou a casa' há 40 anos.

 

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Quarta-feira, 14 de Novembro de 2012

 

 

 

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EU IMPORTO-ME

 

 

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“Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.”

Bertold Brecht*
 
* Apesar dste poema ser atribuído a Bertold Brecht, 
tenho dúvidas se na realidade não será 
da autoria de Martin Niemoller.



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Sexta-feira, 9 de Novembro de 2012

 

 

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OS POBREZINHOS... ESSA GENTE

 

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"Na minha família os animais domésticos não eram cães nem gatos nem pássaros; na minha família os animais domésticos eram pobres. Cada uma das minhas tias tinha o seu pobre, pessoal e intransmissível, que vinha a casa dos meus avós uma vez por semana buscar, com um sorriso agradecido, a ração de roupa e comida.

 

Os pobres, para além de serem obviamente pobres (de preferência descalços, para poderem ser calçados pelos donos; de preferência rotos, para poderem vestir camisas velhas que se salvavam, desse modo, de um destino natural de esfregões; de preferência doentes a fim de receberem uma embalagem de aspirina), deviam possuir outras características imprescindíveis: irem à missa, baptizarem os filhos, não andarem bêbedos, e sobretudo, manterem-se orgulhosamente fiéis a quem pertenciam. Parece que ainda estou a ver um homem de sumptuosos farrapos, parecido com o Tolstoi até na barba, responder, ofendido e soberbo, a uma prima distraída que insistia em oferecer-lhe uma camisola que nenhum de nós queria:

 

- Eu não sou o seu pobre; eu sou o pobre da minha Teresinha.

 

O plural de pobre não era «pobres». O plural de pobre era «esta gente». No Natal e na Páscoa as tias reuniam-se em bando, armadas de fatias de bolo-rei, saquinhos de amêndoas e outras delícias equivalentes, e deslocavam-se piedosamente ao sítio onde os seus animais domésticos habitavam, isto é, uma bairro de casas de madeira da periferia de Benfica, nas Pedralvas e junto à Estrada Militar, a fim de distribuírem, numa pompa de reis magos, peúgas de lã, cuecas, sandálias que não serviam a ninguém, pagelas de Nossa Senhora de Fátima e outras maravilhas de igual calibre. Os pobres surgiam das suas barracas, alvoraçados e gratos, e as minhas tias preveniam-me logo, enxotando-os com as costas da mão:

 

- Não se chegue muito que esta gente tem piolhos.

 

Nessas alturas, e só nessas alturas, era permitido oferecer aos pobres, presente sempre perigoso por correr o risco de ser gasto

 

(- Esta gente, coitada, não tem noção do dinheiro)

 

de forma de deletéria e irresponsável. O pobre da minha Carlota, por exemplo, foi proibido de entrar na casa dos meus avós porque, quando ela lhe meteu dez tostões na palma recomendando, maternal, preocupada com a saúde do seu animal doméstico

 

- Agora veja lá, não gaste tudo em vinho

 

o atrevido lhe respondeu, malcriadíssimo:

 

- Não, minha senhora, vou comprar um Alfa-Romeo

 

Os filhos dos pobres definiam-se por não irem à escola, serem magrinhos e morrerem muito. Ao perguntar as razões destas características insólitas foi-me dito com um encolher de ombros

 

- O que é que o menino quer, esta gente é assim

 

e eu entendi que ser pobre, mais do que um destino, era uma espécie de vocação, como ter jeito para jogar bridge ou para tocar piano.

 

Ao amor dos pobres presidiam duas criaturas do oratório da minha avó, uma em barro e outra em fotografia, que eram o padre Cruz e a Sãozinha, as quais dirigiam a caridade sob um crucifixo de mogno. O padre Cruz era um sujeito chupado, de batina, e a Sãozinha uma jovem cheia de medalhas, com um sorriso alcoviteiro de actriz de cinema das pastilhas elásticas, que me informaram ter oferecido exemplarmente a vida a Deus em troca da saúde dos pais. A actriz bateu a bota, o pai ficou óptimo e, a partir da altura em que revelaram este milagre, tremia de pânico que a minha mãe, espirrando, me ordenasse

 

- Ora ofereça lá a vida que estou farta de me assoar

 

e eu fosse direitinho para o cemitério a fim de ela não ter de beber chás de limão.

 

Na minha ideia o padre Cruz e a Saõzinha eram casados, tanto mais que num boletim que a minha família assinava, chamado «Almanaque da Sãozinha», se narravam, em comunhão de bens, os milagres de ambos que consistiam geralmente em curas de paralíticos e vigésimos premiados, milagres inacreditavelmente acompanhados de odores dulcíssimos a incenso.

 

Tanto pobre, tanta Sãozinha e tanto cheiro irritavam-me. E creio que foi por essa época que principiei a olhar, com afecto crescente, uma gravura poeirenta atirada para o sótão que mostrava uma jubilosa multidão de pobres em torno da guilhotina onde cortavam a cabeça aos reis"

 

 

António Lobo Antunes, Os Pobrezinhos

in Livro de Crónicas



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Domingo, 21 de Outubro de 2012

 

 

 

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NUNCA ATRAIR A ATENÇÃO!

 

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"(...) Que o comportamento mais correcto era contentar-se com a situação existente. Mesmo que fosse possível melhorar alguns pormenores - mas isso é uma superstição absurda -, ter-se-ia obtido, na melhor das hipóteses, alguma coisa para os casos futuros, mas seria à custa de um enorme prejuízo causado a si próprio, chamando a especial atenção dos funcionários que estão sempre à espera de vingança. Nunca atrair a atenção! Manter-se calmo, mesmo que isso seja contra a sua natureza! Tentar compreender que este grande organismo judicial se mantém de certo modo eternamente suspenso, e que quando alguém altera algo no seu local, por sua livre vontade, retira o terreno debaixo dos pés, estando sujeito a precipitar-se, enquanto o grande organismo compensa facilmente noutro local a pequena perturbação - pois tudo está ligado - e mantém-se inalterado, quando não se torna - o que até é provável - ainda mais fachado, ainda mais atento, ainda mais rigoroso, ainda mais perverso."

 

 

Franz Kafka, in O Processo, 1914

Bertrand Editora - Colecção 11x7, pp.143

 

 

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Sábado, 29 de Setembro de 2012

 

 

 

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UMA LIÇÃO. UMA CHAVE.


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"A melhor maneira de lidar com os outros é tomá-los por aquilo que eles acham que são e deixá-los em paz."

 

 

António Lobo Antunes.

 

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Quarta-feira, 19 de Setembro de 2012

 

 

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O VELHO DO RIO

 

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“O homem é o único animal que cospe na água que bebe.

O homem é o único animal que mata para não comer.

O homem é o único animal que corta a árvore que lhe dá sombra e frutos.

Por isso, está se condenando à morte…”

 

 

 

Benedito Ruy Barbosa, Pantanal

 

 

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Quinta-feira, 7 de Junho de 2012

 

 

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Parece que está na moda pedir ditaduras...

 

Leio comentários no Facebook (FB) que me deixam perplexa, boquiaberta e a pensar no assunto. 'Que no tempo do Salazar é que era bom'! E que havia emprego para todos e só não trabalhavam os revolucionários 'de meia tigela' porque, e pelo que li também no FB, queriam viver à custa de quem realmente trabalhava. Ora, nessa época tããão BOA, os que realmente trabalhavam, revolucionários e não revolucionários, mal ganhavam para comer (excepção feita para as Colónias, onde o estilo de vida dos portugueses brancos era totalmente distinto e antagónico do que se vivia na Metrópole). Isto não se diz porquê? Eram criados (sim, criados) dos que estavam em consonância com o sistema, que tinham dinheiro, eram prepotentes e esses sim, não faziam nada porque tinham quem fizesse por eles (havia algumas famílias com posses que não tratavam assim os empregados, sim, neste caso eram empregados e não criados. Mas essas famílias eram uma minoria de pessoas bem formadas).

 

E agora, passados estes anos todos, queriam que se voltasse ao mesmo. Queriam criados (mal pagos) outra vez. Querem a 'elite' novamente. Mas descansem, porque é o que já está a acontecer. Ainda não perceberam?! Uma ditadura camuflada. Escusam de pedir o que já estão a ter. Mas vão continuar a queixar-se porque ainda consideram que é pouco! O que denota logo um certo hebetismo.

 

Que país, este! Um povo sem memória!
 
E desde já previno que isto que aqui escrevo nada tem nada a ver com ser de 'direita' ou de 'esquerda', desengane-se quem assim interpretar estas palavras. Até porque essa numenclatura faz cada vez menos sentido e começa a estar ultrapassada.

 

Uma coisa é querer um Estado que funcione correctamente, com equidade e com o mínimo de corrupção. Outra, é querer-se um regime ditatorial. Caneco... A História está repleta de 'belos' exemplos de ditaduras. E algum funcionou?

 

Se calhar eu é que estou maluca e afinal o Pinochet até merece a homenagem que lhe querem fazer.

 

Também devo estar mentalmente afectada quando penso que Hitler contribuiu para um genocídio.

 

E provavelmente estou mesmo demente por ser de opinião que homens como Noriega, Fulgêncio Batista, Fidel Castro, Suharto, Saddam Hussein, Bashar al-Assad, Kim Il-Sung, Mao Tse-Tung, Ferdinand Marcos, Mussolini, Estaline, Franco - só para dar alguns exemplos que me ocorrem agora - afinal não eram bons rapazes e só destruíram Seres Humanos.

 

É: devo ser eu que não tenho as minhas ligações sinápticas a funcionar... Mas de uma coisa eu tenho a certeza: tenho cérebro e memória. Ah...! E penso por mim própria (sei que é algo antiquado, a maioria já pensa em estilo 'manada') e ainda ouso emitir opiniões (sim é uma ousadia porque pelo que sei não é visto com bons olhos um comportamento destes...), vejam só!


Que país, este...

 

 

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Terça-feira, 29 de Maio de 2012

 

 

Bem vistas as coisas, tudo isto não passa de um jogo de Xadrêz.

E o mais cómico (não fosse o caso de ser tão trágico e dramático), é que os nossos políticos pensam que são os jogadores e nós os peões no tabuleiro. Mas estão enganadas, essas pobres almas. Quando for feito o Xeque-Mate, eles vão perceber que são tão peões como os demais e que nem sequer tiveram direito ao estatuto de Rainha, Rei, Bispo ou Cavalo! Foram jogados em vez de jogadores e aí vai ser interessante. Vai sim senhor!

 

 

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TABULEIRO DE XADREZ

 

 

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E pronto, cá está uma possível tese. Que vale o que vale, claro está.

 

 

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Domingo, 22 de Abril de 2012
 

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EARTH DAY | DIA DA TERRA

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Quinta-feira, 19 de Abril de 2012

 

 

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BEAUTIFUL! THE CORAL TRIANGLE 1

 

 

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BEAUTIFUL! THE CORAL TRIANGLE 2
 
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Segunda-feira, 2 de Abril de 2012

 

 

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UNIVERSO 

 

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The Known Universe by AMNH, American Museum of Natural History
 
 

 

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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012

 

 

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ALMA IMENSA

 

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 "Por vezes não se morre por ter-se a alma


pequena, mas morre-se sim quando a alma

 

é demasiado grande para tanta desigualdade

 

no enquadramento do mundo."

 

 

 
Padre António Vieira (1608-1697)

 

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Domingo, 8 de Janeiro de 2012

 

 

 

Muito importante não esquecer.

 

Aqui fica a história dos Direitos Humanos.

 

 

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A História dos Direitos Humanos
 
 

 

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Sábado, 7 de Janeiro de 2012

 

 

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Você Sabia? (Did You Know? 2008 - Legendas PT-BR)
 
 
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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012

 

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"Eu venho desde ontem,
do escuro passado e esquecido
com as mãos amarradas pelo tempo,
e a boca selada das épocas remotas.

Venho carregada das dores antigas,
Guardadas por séculos,
arrastando correntes longas e indestrutíveis…

Eu venho da obscuridade,
do poço do esquecimento,
com o silêncio nas costas,
do medo ancestral que tem corroído a minha alma
desde o princípio dos tempos…

Venho de ser escrava por milénios,
escrava de maneiras diferentes:
submetida ao desejo de meu raptor na Pérsia,
escravizada na Grécia pelo poder romano,
convertida em vestal nas terras do Egipto,
oferecida aos deuses em ritos milenares,
vendida no deserto
ou avaliada como uma mercadoria…

Eu venho de ser apedrejada por adúltera nas ruas de Jerusalém,
por uma multidão dos hipócritas,
pecadores de todas as espécies,
que clamavam aos céus pela minha punição…

Tenho sido mutilada em muitos povos
para privar o meu corpo dos prazeres
e convertida em animal de carga
trabalhadora e parideira da espécie…

Têm-me violado sem limites,
em todos os cantos do planeta,
sem levarem em consideração a minha idade madura
ou juventude , minha cor ou estatura…


Tive que servir ontem aos senhores,
submeter-me aos seus desejos,
entregar-me,doar-me, destruir-me
para esquecer-se de ser uma entre milhares.

Fui cortesã de um senhor em Castilha,
Esposa de um marquês
E concubina de um comerciante grego,
Prostituta em Bombaim e nas Filipinas
E esse tratamento foi sempre igual….


De um e de outros sempre fui escrava,
De um e de outros sempre fui dependente,
menor de idade em todos os assuntos,
Invisível na História mais antiga
e esquecida na História mais recente
Não tive a luz do alfabeto…

Durante muitos séculos,
reguei com as minhas lágrimas a terra
que devia cultivar desde a infância….

Tenho percorrido o mundo em milhares das vidas
que me têm sido entregues uma a uma
e tenho conhecido todos os homens do planeta:
Os grandes, os pequenos, os bravos e cobardes,
Os vis os honestos, os bons e os terríveis
Mas quase todos levam a marca do tempo…

Uns manejam vidas como patrões e senhores,
Asfixiam, aprisionam e aniquilam
Outros subjugam almas,
comercializam com ideias
assustam ou seduzem
manipulam ou oprimem…

Conheço-os a todos.
Estive perto de uns e de outros
Servindo cada dia,
Recolhendo migalhas,
Humilhando-me a cada passo,
cumprindo o meu karma…

Tenho percorrido todos os caminhos
arranhando paredes, ensaiando silêncios
tratando de cumprir as ordens de ser
como eles querem,
mas não tenho conseguido…

Jamais foi permitido que eu escolhesse
O rumo da minha vida.
Tenho caminhado sempre em disjunção
entre o ser santa ou prostitua…

Tenho conhecido o ódio e os inquisidores
que em nome da santa madre igreja
condenam o meu corpo ao seu serviço
às infames chamas da fogueira.

Têm-me chamado de múltiplas maneiras:
Bruxa, louca, adivinha, pervertida, aliada de Satã,
escrava da carne, sedutora ninfomaníaca
culpada de todos os males da Terra…

Mas segui vivendo,
arando, colhendo, costurando, construindo,
cozinhando, tecendo, curando, protegendo,
parindo, criando, amamentando, cuidando
e, sobretudo, amando…

Tenho povoado a Terra de senhores e escravos,
de ricos e mendigos, de génios e idiotas,
mas todos tiveram o calor do meu ventre,
meu sangue e seu alimento
e levaram com eles um pouco da minha vida…

Consegui sobreviver à conquista brutal e sem piedade
de Castilha nas terras da América.
Mas perdi meus deuses e a minha terra
e meu ventre pariu gente mestiça
depois que o meu patrão me tomou à força…

E neste continente mestiço prossegui a minha existência
carregada de dores quotidiana negra e escrava .
No meio da fazenda me vi obrigada
A receber o patrão quantas vezes ele quisesse
Sem poder expressar nenhuma queixa…

Depois fui costureira,
camponesa , servente , agricultora
Mãe de muitos filhos miseráveis,
vendedora ambulante, curandeira,
babá,cuidadora de velhos,
artesã de mãos prodigiosas, tecelã bordadeira,
operária, professora, secretária, enfermeira….

Sempre servindo a todos
convertida em abelha ou semeadeira,
cazendo as tarefas mais ingratas,
moldada como uma jarra por mãos alheias…
Vieram milhões de mulheres juntas escutar a minhas queixas.
Falou-se de dores milenares,
dos enormes grilhões que os séculos
nos fizeram carregar nas costas
e formamos com todos os nossos lamentos
um caudaloso rio
que começou a percorrer o Universo,
afogando a injustiça e os esquecimento…

O mundo ficou paralisado,
os homens e mulheres não caminharam.
Pararam as máquinas, os tornos,
os grandes edifícios e as fábricas,
ministérios e hotéis, oficinas, hospitais,
e lojas e lares e cozinhas…

Nós mulheres finalmente descobrimos:
Somos tão poderosas quanto eles
E somos muito mais numerosas sobre a Terra!
Mais que o silêncio, mais que o sofrimento,
Mais que a infância e mais que a miséria!

Que este cântico ressoe
nas longínquas terras da Indochina
nas cálidas areias de África,
no Alasca e na América Latina

Proclamando a igualdade entre os géneros
Para construir um mundo solidário
-diferente, horizontal, sem poderes -
a conjugar a ternura, a paz e a vida
a beber da ciência sem distinção.

A derrotar o ódio e os preconceitos,
O poder de uns poucos, as mesquinhas fronteiras ,
a amassar com as mãos de ambos os sexos,
o pão da existência…"




Jenny del Pilar Londoño López, Reencarnações

 

 

publicado por Cleópatra M.P. às 10:30
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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011

 

 Ouvi, esta manhã, a crónica de Fernando Alves na TSF e não resisto a publicá-la aqui.

 

 

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Ratoeira

"Um estudo realizado por uma equipa de neurologistas da Universidade de Chicago (e agora divulgado na revista Science) conclui que os ratos podem ser altruístas. Colocados perante um dilema - comer um pedaço de chocolate ou socorrer um outro rato que ficara fechado numa gaiola - os ratos optavam por salvar o companheiro em dificuldades. Mais: em várias situações, os ratos libertavam os companheiros e, depois de tudo terem feito para pôr fim ao seu sofrimento, partilhavam com eles o chocolate. O altruísmo entre ratos é uma surpresa para os cientistas e atrapalha a efabulação e o provérbio. Esta experiência , agora que fomos apanhados na gaiola, na ratoeira, dos mercados obrigados a roer o duro e amargo chocolate de troikas e Directórios, talvez deva impor uma releitura do provérbio alemão segundo o qual " é preferível alimentar um gato do que muitos ratos".
A verdade é que o estudo dos neurologistas de Chicago, conferindo aos ratos uma capacidade de compaixão e empatia pelos companheiros, sustentando que eles não suportam ver outros ratos aprisionados, lança sérias reticências sobre a ideia de que os ratos são os primeiros a abandonar o navio no momento do desastre.
Ora faz agora um ano, entrevistado pela revista brasileira Época, Oren Harman, um cientista israelita, autor do livro "O Preço do Altruísmo", sublinhava a diferença entre altruísmo e solidariedade. Para ele, "o altruísmo é uma acção em que, para beneficiar o outro, o indivíduo arca com um custo ou um prejuízo para si próprio. Embora o altruísmo tenha importância social é, muito mais, uma acção pessoal, motivada por razões pessoais" Já a solidariedade, defendia Harman, "é um conceito mais social, baseado no sentimento colectivo de unidade ,e não requer sacrifício pessoal".
Este altruísmo dos ratos, agora revelado pelo estudo de Chicago ( nada a ver com uma outra famosa escola de Chicago que ajudou a conceber novas ratoeiras) deve incluir-se naquilo que o autor israelita chama "altruísmo biológico". Ele explica que até uma amiba pode ser altruísta. Já quanto ao altruísmo psicológico (aquele que praticamos) não é necessário ser demasiado cínico para admitir que ele esconde, não raras vezes, formas mais ou menos subtis de egoísmo.
A tese de Harman é a de que a biologia, a psicologia e a sociologia explicam o impulso que existe em nós para, em prejuízo próprio, ajudar o próximo. Não se pede tanto aos que definem e aplicam políticas com impacto na nossa vida, na nossa mesa, na nossa ratoeira. Não se lhes pede que sejam altruístas. Até, com franqueza, se dispensa que o sejam. O que se agradece, vá lá, o que se exige, é que sejam solidários. Um patamar acima dos ratos."
 
 
Por Fernando Alves in Sinais, TSF, 13 de Dezembro de 2011
 
 
Pode ser ouvido AQUI!
 
publicado por Cleópatra M.P. às 09:48
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Domingo, 11 de Dezembro de 2011

 

 

Youtube e Ridley Scott apresentam 'Life in a Day'.

 

Um documentário sobre um único dia na Terra: 24 de Julho de 2010. Uma colectânea de vídeos comuns, filmados por pessoas comuns e que relata o quotidiano vivido nos quatro cantos do Mundo.

 

Sem dúvida, vale a pena ver.

 

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Life In A Day

 

 

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publicado por Cleópatra M.P. às 14:41
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