Quinta-feira, 2 de Março de 2017

 

 

Carrego o teu coração comigo
Carrego-o no meu coração
Nunca estou sem ele
Onde eu vou, tu vais
E o que é feito por mim, és tu que fazes
Não receio nenhum destino
Tu és o meu destino
Eu não quero outro mundo
Tu és o meu mundo, a minha verdade
Tu és o significado da Lua
Onde quer que o Sol brilhe, tu és o seu canto
 
Aqui está o segredo mais profundo que ninguém sabe
Aqui está a raiz da raiz e o botão do botão
E o céu do céu de uma árvore chamada vida
A qual cresce mais alto
Do que a alma espera ou a mente esconde
Este é o milagre que mantém as estrelas separadas
Carrego o teu coração comigo
Carrego-o no meu coração
 
 
E.E. Cummings, Carrego o teu coração comigo
 
 
 
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CÉU DO CÉU | SKY OF THE SKY

 

 
* * *
 
 
I carry your heart with me
(I carry it in my heart)
I am never without it
(anywhere I go you go, my dear; and whatever is done
by only me is your doing, my darling)
 
I fear no fate
(for you are my fate, my sweet)
I want no world
(for beautiful you are my world, my true)
and it’s you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you
Here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root
and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;
which grows higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that’s keeping the stars apart
 
I carry your heart (I carry it in my heart)
 
 
E.E. Cummings, I carry your heart with me
 
 
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Quinta-feira, 19 de Março de 2015

 

 

 

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"

(...)


Lately I just find my mind has turned to dreaming

Making plans and scheming
How I'm gonna get back home
But deep down inside I know its really hopeless
This road I'm on is endless
We climb our mountains all alone

 

(...)


Old photographs and places I remember
Just like a dying ember
That's burned into my soul
Even though we walk the diamond studded highways
It's the country lanes and byways
That makes us long for home"

 

 

Jim Capaldi, Old Photographs

 

 

 

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Jim Capaldi, Old Photographs

 

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Quarta-feira, 18 de Março de 2015

 

 

 

 

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O AMOR ENCONTRARÁ UM CAMINHO | LOVE WILL FIND A W

 

 

 

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"It's time to come away, my Darling Pretty
It's time to come away on the changing tide
Time to come away, Darling Pretty
And I need you darling by my side 

Heal me with a smile, Darling Pretty
Heal me with a smile and a heart of gold
Carry me awhile, my Darling Pretty
Heal my aching heart and soul 

Just like a castaway
Lost upon an endless sea
I saw you far away
Come to rescue me 

Cast away the chains, Darling Pretty
Cast away the chains away behind
Take away my pain, my Darling Pretty
And the chains that once were yours and mine 

There will come a day, Darling Pretty
There will come a day when hearts can fly
Love will find a way, my Darling Pretty
Find a heaven for you and I
Love will find a way, my Darling Pretty
Find a heaven for you and I"

 

 

Mark knopfler, Darling Pretty

 

 

 

* * *

Mark knopfler, Darling Pretty

 

 

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Domingo, 14 de Dezembro de 2014

 

 

 

 

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ARREPIAS-ME | I'VE GOT CHILLS

 

 

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"I've got chills
They're multiplying
And I'm losing control
'Cause the power
You're supplying It's electrifying

 

(...)


You're the one that I want
The one that I want
The one that I need"

 


Lo-Fang, You're The One That I Want

 

 

 

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"Arrepias-me
Cada vez mais
E eu estou a perder o controle

Porque o poder que transmites
É eletrizante

 

(...)

Tu és o que eu quero
O que eu quero
O único que eu preciso"

 

 

Lo-Fang, You're The One That I Want

 

 

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Domingo, 19 de Outubro de 2014

 

 

 

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NO WORDS FOR THAT

 

 

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Sexta-feira, 26 de Setembro de 2014

 

 

 

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SEI. EU SEI.

 

 

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Sabe quando a gente tem vontade de encontrar
A novidade de uma pessoa
Quando o tempo passa rápido
Quando você está ao lado dessa pessoa
Quando dá vontade de ficar nos braços dela
E nunca mais sair

 

 

Sabe, quando a felicidade invade
Quando pensa na imagem da pessoa
Quando lembra que seus lábios encontraram
Outros lábios de uma pessoa
E o beijo esperado ainda está molhado
E guardado ali
Em sua boca
Que se abre e sorri feliz
Quando fala o nome daquela pessoa
Quando quer beijar de novo, muito
Os lábios desejados da sua pessoa
Quando quer que acabe logo a viagem
Que levou ela pra longe daqui

 

 

Sabe, quando passa a nuvem em brasa
Abre o corpo, o sopro do ar que traz essa pessoa
Quando quer ali deitar, se alimentar
E entregar seu corpo pra pessoa
Quando pensa porque não disse a verdade
É que eu queria que ela estivesse aqui

 

 

Sabe, quando a felicidade invade
Quando pensa na imagem da pessoa
Quando lembra que seus lábios encontraram
Outros lábios de uma pessoa
E o beijo esperado ainda está molhado
E guardado ali
Em sua boca
Que se abre e sorri feliz
Quando fala o nome daquela pessoa
Quando quer beijar de novo, muito
Os lábios desejados da sua pessoa
Quando pensa porque não disse a verdade
É que eu queria que ela estivesse aqui

 

 

Sei

Eu sei

 

 

Nando Reis, 'Sei'

 

 

 

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Sexta-feira, 20 de Setembro de 2013

 

 

Tudo de bom na Vida para ti, meu amor.

Minha linda Pipoca Lagartixa!



 

 

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PARA A MINHA PIPOCA LAGARTIXA

 

 

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Quando vocês estiverem tristes, pensem em coisas lindas:
Balas, travessuras, carinho, carrinho, beijo de mãe,
Brincadeira de queimado, árvore de natal,
Árvore de jabuticaba, céu amarelo, bolas azuis,
Risadas, colo de pai, história de avó...
Quando vocês forem grandes e acharem que a vida não é linda,
Pensem em coisas lindas.
Mas pensem com força, com muita força,
Porque aí o céu vai ficar cheio de vacas gordas amarelas,
Cachorro bonzinho, bruxa simpática,
Sorvete de chocolate, caramelos e amigos
Vamos, vamos lá! vamos pensar só em coisas lindas!
Brincar na chuva, boneca nova, boneca velha, bola grande,
Mar verde, submarino amarelo, fruta molhada, banho de rio,
Guerra de travesseiro, boneco de areia, princesas,
Heróis, cavalos voadores...

 

 

Oswaldo Montenegro

 

 

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Sábado, 10 de Novembro de 2012

 

 

 

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YOU DIDN'T HEAR ME THEN...

 

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"First you break it up, but I knew you'd come running
You'd wanna make it up, I can't hear you no more

Now you know what it's like, and I can watch you begging
Like I was begging to you, like I did before

I can't hear you no more, I can't hear you no more, I won't come running again
I can't hear you no more, no it ain't like before, I'm learning to live again

Ain't I the one who called, when you stood so near me
You didn't hear me then, I can't hear you no more

Now you know what it's like, and I can watch you begging
Like I was begging to you, like I did before

I can't hear you no more, I can't hear you no more, I won't come running again
I can't hear you no more, no it ain't like before
I'm learning to live, learning to live, learning to live again

For too long you played a part, now it's lost the mystery
But no more can I hold on, I'm breaking the chains that tie me, yeah

I can't hear you no more, no it ain't like before
See me walk out the door, I can't hear you no more

I can't hear you no more, I can't hear you no more
I won't come running, I won't come running, I won't come running again

I can't hear you no more, no it ain't like before
See me walk out the door, I can't hear you no more

When you stood so near me, you couldn't even hear me - that's all I should say."

 

 

 

Gerry Goffin/Carole King, I Can't Hear You No More, 1964

 

 

 

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Russ Ballard,  I Can't Hear You No More

 

 

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Sábado, 20 de Agosto de 2011

 

 

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"Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar."



Miguel Esteves Cardoso, in Último Volume

 

publicado por Cleópatra M.P. às 00:25
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Sexta-feira, 22 de Julho de 2011

 

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"Um ano tivemos um eclipse da Lua. Pouco tempo antes de ocorrer recebi a seguinte carta do jovem indiano que era chefe da estação no apeadeiro kikuyu:

 

 

          'Excelentíssima Senhora,

 

Tiveram a gentileza de me informar que a luz do Sol vai desaparecer durante sete dias seguidos. Pondo de parte a questão dos comboios, rogo-lhe a fineza de me informar, já que mais ninguém terá a gentileza de o fazer, se durante este período hei-de deixar as minhas vacas pastarem nas imediações, ou se as devo recolher no estábulo.

 

 

                   Tenho a honra de ser, minha Senhora, seu fiel servidor.

 

                                                                                                             PATEL' "

 

 

Karen Blixen, in África Minha, pp.248

 

 

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Segunda-feira, 2 de Maio de 2011

 

 

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"Seguindo Mary (...), Amos parecia abalado.

- Mary, minha querida, o que vais fazer? O que tens em mente?

Mary inspirou profundamente.

- Algo de que me irei arrepender para o resto da vida."

 

 

Leila Meacham, Rosas, pp.222

 

 

publicado por Cleópatra M.P. às 22:40
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Terça-feira, 5 de Abril de 2011

 

 

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"People I know, places I go, make me feel tongue-tied
I can see how people look down, they're on the inside
here's where the story ends
people I see, weary of me showing my good side
I can see how people look down
I'm on the outside
here's where the story ends
ooh here's where the story ends

it's that little souvenir of a terrible year
which makes my eyes feel sore
oh I never should have said, the books that you read
were all I loved you for
it's that little souvenir of a terrible year
which makes me wonder why
and it's the memories of your shed that make me turn red
surprise, surprise, surprise

crazy I know, places I go
make me feel so tired
I can see how people look down
I'm on the outside
oh here's where the story ends
ooh here's where the story ends

it's that little souvenir of a terrible year
which makes my eyes feel sore
and who ever would've thought the books that you brought
were all I loved you for
oh the devil in me said, go down to the shed
I know where I belong
but the only thing I ever really wanted to say
was wrong, was wrong, was wrong

it's that little souvenir of a colourful year
which makes me smile inside
so I cynically, cynically say, the world is that way
surprise, surprise, surprise, surprise, surprise
here's where the story ends
ooh here's where the story ends"

 

 

Sundays, "Here's Where The Story Ends"

 

 

The Sundays - Here's Where The Story Ends

 

 

 

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Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010

 

 

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- Ela disse que dançaria comigo se eu lhe levasse rosas vermelhas – exclamou o Estudante – mas estamos no inverno e não há uma única rosa no jardim...

Por entre as folhas, do seu ninho, no carvalho, o Rouxinol o ouviu e, vendo-o ficou admirado...

- Não há nenhuma rosa vermelha no jardim! – disse o Estudante, com os olhos cheios de lágrimas. – Ah! Como a nossa felicidade depende de pequeninas coisas! Já li tudo quanto os sábios escreveram. A filosofia não tem segredos para mim e, contudo, a falta de uma rosa vermelha é a desgraça  da minha vida.

Eis, afinal, um verdadeiro apaixonado! – disse o Rouxinol. Tenho cantado o Amor noite após noite, sem conhecê-lo no entanto; noite após noite falei dele às estrelas, e agora o vejo... O cabelo é negro como a flor do jacinto e os lábios vermelhos como a rosa que deseja; mas o amor pôs-lhe na face a palidez do marfim e o sofrimento marcou-lhe a fronte.

- Amanhã à noite o Príncipe dá um baile, murmurou o Estudante, e a minha amada se encontrará entre os convidados. Se levar uma rosa vermelha, dançará comigo até a madrugada. Somente se lhe levar uma rosa vermelha... Ah... Como queria tê-la em meus braços, sentir-lhe a cabeça no meu ombro e a sua mão presa a minha. Não há rosa vermelha em meu jardim... e ficarei só; ela apenas passará por mim... Passará por mim... e meu coração se despedaçará.

- Eis um verdadeiro apaixonado... – pensou o Rouxinol. – Do que eu canto, ele sofre. O que é dor para ele é alegria para mim. Grande maravilha, na verdade, é o Amar! Mais precioso que esmeraldas e mais caro que opalas finas. Pérolas e granada não podem comprá-lo, nem se oferece nos mercados. Mercadores não o vendem, nem o conferem em balanças a peso de ouro.

- Os músicos da galeria – prosseguiu o Estudante – tocarão nos seus instrumentos de corda e, ao som de harpas e violinos, minha amada dançará. Dançará tão leve, tão ágil, que seus pés mal tocarão o assoalho e os cortesãos, com suas roupas de cores vivas, reunir-se-ão em torno dela. Mas comigo não bailará, porque não tenho uma rosa vermelha para dar-lhe... – e atirando-se à relva, ocultou nas mãos o rosto e chorou.

- Por que está chorando? – perguntou um pequeno lagarto ao passar por ele, correndo, de rabinho levantado.

- É mesmo! Por que será? – Indagou uma borboleta que perseguia um raio de sol.

- Por quê? – sussurrou uma linda margarida à sua vizinha.

- Chora por causa de uma rosa vermelha, - informou o Rouxinol.

- Por causa de uma rosa vermelha? – exclamaram – Que coisa ridícula! E  o lagarto, que era um tanto irônico, riu à vontade.

Mas o Rouxinol compreendeu a angústia do Estudante e, silencioso, no carvalho, pôs-se a meditar sobre o mistério do Amor.

Subitamente, abriu as asas pardas e voou.

Cortou, como uma sombra, a alameda, e como uma sombra, atravessou o jardim.

Ao centro do relvado, erguia-se uma roseira. Ele a viu. Voou para ela e posou num galho.

- Dá-me uma rosa vermelha – pediu – e eu cantarei para ti a minha mais bela canção!

- Minhas rosas são brancas; tão brancas quanto a espuma do mar, mais brancas que a neve das montanhas. Procura minha irmã, a que enlaça o velho relógio-de-sol. Talvez te ceda o que desejas.

Então o Rouxinol voou para a roseira, que enlaçava o velho relógio-de-sol.

- Dá-me  uma rosa vermelha – pediu – e eu te cantarei minha canção mais linda.

A roseira sacudiu-se levemente.

- Minhas rosas são amarelas como as cabelos dourados das donzelas, ainda mais amarelas que o trigo que cobre os campos antes da chegada de quem o vai ceifar. Procura a minha irmã, a que vive sob a janela do Estudante. Talvez ela possa te possa ajudar.

O Rouxinol então, dirigiu o vôo para  a roseira que crescia sob a janela do Estudante.

- Dá-me uma rosa vermelha – pediu - e eu te cantarei a mais linda de minhas canções.

A roseira sacudiu-se levemente.

- Minhas rosas são vermelhas, tão vermelhas quanto os pés das pombas, mais vermelhas que os grandes leques de coral que oscilam nos abismos profundos do oceano. Contudo, o inverno regelou-me até as veias, a geada queimou-me os botões e a tempestade quebrou-me os galhos. Não darei rosas este ano.

- Eu só quero uma rosa vermelha, repetiu o Rouxinol, - uma só rosa vermelha. Não haverá meio de obtê-la?

- Há, respondeu  a Roseira, mas é meio tão terrível que não ouso revelar-te.

- Dize. Não tenho medo.

- Se queres uma rosa vermelha, explicou a roseira, hás de fazê-la de música, ao luar, tingi-la com o sangue de teu coração. Tens de cantar para mim com o peito junto a um espinho. Cantarás toda a noite para mim e o espinho deve ferir teu coração e teu sangue de vida deve infiltrar-se em minhas veias e tornar-se meu.

- A morte é um preço exagerado para uma rosa vermelha – exclamou o Rouxinol – e a Vida é preciosa... É tão bom voar, através da mata verde e contemplar o sol  em seu esplendor dourado e a lua em seu carro de pérola...O aroma do espinheiro é suave, e suaves são as campânulas ocultas no vale, e as urzes tremulantes na colina. Mas o Amor é melhor que a Vida. E que vale o coração de  um pássaro comparado ao coração de um homem?

Abriu as asas pardas para o vôo e ergueu-se no ar. Passou pelo jardim como uma sombra e, como uma sombra, atravessou a alameda.

O Estudante estava deitado na relva, no mesmo ponto em que o deixara, com os lindos olhos inundados de lágrimas.

- Rejubila-te – gritou-lhe o Rouxinol – Rejubila-te; terás a tua rosa vermelha. Vou fazê-la de música, ao luar. O sangue de meu coração a tingirá. Em conseqüência só te peço que sejas sempre verdadeiro amante, porque o Amor é mais sábio do que a Filosofia; mais poderoso que o poder.. Tem as asas da cor da chama e da cor da chama tem o corpo. Há doçura de mel em seus braços e seu hálito lembra o incenso.

O Estudante ergueu a cabeça e escutou. Nada pode entender, porém, do que dizia o Rouxinol, pois sabia apenas o que está escrito nos livros.

Mas o Carvalho entendeu e ficou melancólico, porque amava muito o pássaro que construíra ninho em seus ramos.

- Canta-me um derradeiro canto – segredou-lhe – sentir-me-ei tão só depois da tua partida.

Então o Rouxinol cantou para o Carvalho, e sua voz fazia lembrar a água a borbulhar de uma jarra de prata.

Quando o canto finalizou, o Estudante levantou-se, tirando do bolso um caderninho de notas e um lápis.

- Tem classe, não se pode negar – disse consigo – atravessando a alameda. Mas terá sentimento? Não creio. É igual a maioria dos artistas. Só estilo, sinceridade nenhuma. Incapaz de sacrificar-se por outrem. Só pensa e cantar e bem sabemos quanto a Arte é egoísta. No entanto, é forçoso confessar, possui maravilhosas notas na voz. Que  pena não terem significação alguma, nem realizarem nada realmente bom!

Foi para o quarto, deitou-se e, pensando na amada, adormeceu.

Quando a lua refulgia no céu, o Rouxinol voou para a Roseira e apoiou o peito contra o espinho. Cantou a noite inteira e o espinho mais e mais foi se enterrando em seu peito, e o sangue de sua vida lentamente se escoou...

Primeiro descreveu o nascimento do amor no coração de um menino e uma menina; e, no mais alto galho da Roseira, uma flor desabrochou, extraordinária, pétala por pétala, acompanhando um canto e outro canto. Era pálida, a princípio, qual a névoa que esconde o rio, pálida qual os  pés da manhã e as asas da alvorada. Como sombra de rosa num espelho de prata, como sombra de rosa em água de lagoa era a rosa que apareceu no mais alto galho da Roseira.

Mas a Roseira pediu ao Rouxinol que se unisse mais ao espinho. – Mais ainda, Rouxinol, - exigiu a Roseira, - senão o dia raia antes que eu acabe a rosa.

O Rouxinol então apertou ainda mais o espinho junto ao peito, e cada vez mais profundo lhe saía o canto porque ele cantava o nascer da paixão na alma do homem e da mulher.

E tênue nuance rosa nacarou as pétalas, igual ao rubor que invade a face do noivo quando beija a noiva nos lábios.

Mas o espinho não lhe alcançava ainda o coração e o coração da flor continuava branco – pois somente o coração de um Rouxinol pode avermelhar o coração de rosa.

- Mais ainda, Rouxinol, - clamou a Roseira – raiar o dia antes que eu finalize a rosa.

E o Rouxinol, desesperado, calcou-se mais forte no espinho, e o espinho lhe feriu o coração, e uma punhalada de dor o traspassou.

Amarga, amarga lhe foi a angústia e cada vez mais fremente foi o canto, porque ele cantava o amor que a morte aperfeiçoa, o amor que não morre nem no túmulo.

E a rosa maravilhosa tornou-se purpurina como a rosa do céu oriental. Suas pétalas ficaram rubras e, vermelho como um rubi, seu coração.

Mas a voz do Rouxinol se foi enfraquecendo, as pequeninas asas começaram a estremecer e uma névoa cobriu-lhe o olhar, o canto tornou-se débil e ele sentiu qualquer coisa apertar-lhe a garganta.

Então, arrancou do peito o derradeiro grito musical.

Ouviu-o a lua branca, esqueceu-se da Aurora e permaneceu no céu.

A rosa vermelha o ouviu, e trêmula de emoção, abriu-se à aragem fria da manhã. Transportou-o o Eco, à sua caverna purpurina, nos montes, despertando os pastores de seus sonhos. E ele levou-os através dos caniços dos rios e eles transmitiram sua mensagem ao mar.

- Olha! Olha! Exclamou a Roseira. – A rosa está pronta, agora.

Ao meio dia o Estudante abriu a janela e olhou.

- Que sorte! – disse – Uma rosa vermelha! Nunca vi rosa igual em toda a minha vida. É tão linda que tem certamente um nome complicado em latim. E curvou-se para colhê-la.

Depois, pondo o chapéu, correu à casa do professor.

- Disseste que dançarias comigo se eu te trouxesse uma rosa vermelha, - lembrou o Estudante. – Aqui tens a rosa mais linda e vermelha de todo o mundo. Hás de usá-la, hoje a noite, sobre ao coração, e quando dançarmos juntos ela te dirá o quanto te amo.

A moça franziu a testa.

- Esta rosa não combina com o meu vestido, disse. Ademais, o Capitão da Guarda mandou-me jóias verdadeiras, e jóias, todos sabem, custam muito mais do que flores...

- És muito ingrata! – exclamou o Estudante, zangado. E atirou a rosa a sarjeta, onde a roda de um carro a esmagou.

- Sou ingrata? E o senhor não passa de um grosseirão. E, afinal de contas, quem és? Um simples estudante... não acredito que tenhas fivelas de prata, nos sapatos, como as tem o Capitão da Guarda... – e a moça levantou-se e entrou em casa.

- Que coisa imbecil, o Amor! – Resmungou o estudante, afastando-se. – Nem vale a utilidade da Lógica, porque não prova nada, está sempre prometendo o que não cumpre e fazendo acreditar em mentiras. Nada tem de prático e como neste século o que vale é a prática, volto à Filosofia e vou estudar metafísica.

Retornou ao quarto, tirou da estante um livro empoeirado e pôs-se a ler...

 

 

Oscar Wilde, O Rouxinol e a Rosa

 

 

publicado por Cleópatra M.P. às 15:32
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Terça-feira, 28 de Dezembro de 2010


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O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.


Carlos Drummond de Andrade

O Mundo é Grande in “Amar se Aprende Amando”

publicado por Cleópatra M.P. às 12:00
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Sexta-feira, 15 de Outubro de 2010

 

 

 

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publicado por Cleópatra M.P. às 10:00
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Quinta-feira, 30 de Setembro de 2010

 

 

 

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 Nem todo o corpo é carne... Não, nem todo
Que dizer do pescoço, às vezes mármore,
às vezes linho, lago, tronco de árvore,
nuvem, ou ave, ao tacto sempre pouco...?

E o ventre, inconsistente como o lodo?...
E o morno gradeamento dos teus braços?
Não, meu amor... Nem todo o corpo é carne:
é também água, terra, vento, fogo...

É sobretudo sombra à despedida;
onda de pedra em cada reencontro;
no parque da memória o fugidio

vulto da Primavera em pleno Outono...
Nem só de carne é feito este presídio,
pois no teu corpo existe o mundo todo!

 

 

 

David Mourão-Ferreira, Presídio in “Obra Poética”

 


 

publicado por Cleópatra M.P. às 15:14
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Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010

 

 

 

* * *

 

 

 

* * *

  

 

Não quero amor
que não saiba dominar-se,
desse, como vinho espumante,
que parte o copo e se entorna,
perdido num instante.

Dá-me esse amor fresco e puro
como a tua chuva,
que abençoa a terra sequiosa,
e enche as talhas do lar.
Amor que penetre até ao centro da vida,
e dali se estenda como seiva invisível,
até aos ramos da árvore da existência,
e faça nascer
as flores e os frutos.
Dá-me esse amor
que conserva tranquilo o coração,
na plenitude da paz!

 

 

Rabindranath Tagore

Amor Pacífico e Fecundo in "O Coração da Primavera"

 


 

publicado por Cleópatra M.P. às 08:20
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Segunda-feira, 6 de Setembro de 2010

 

 

 

* * *

 

* * *

 


Don't come after
Come
Don't come after
Please don't follow me along
When you read this I'll be gone
Ask the mountains
Springs and fountains
Why couldn't this go on?
Couldn't our happiness go on?
Ask the sun that lightens up the sky
When the night gives in, to tell you why
Ask the mountains
Wild woods, highlands
Ask the green in the woods and the trees
The cold breeze coming in from the sea
Springs and fountains
Ask the mountains
Springs and fountains
Ask the sun that lightens up the sky
When the night gives in, to tell you why
Tell the mountains
Springs and fountains
Why couldn't this go on?
Couldn't our happiness go on?

 

 

Vangelis, Ask The Mountains

 

 

 

                               * Vangelis - Ask The Mountains *

 

publicado por Cleópatra M.P. às 00:02
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Quarta-feira, 1 de Setembro de 2010

 

 

* * *

 

 

 

* * *

 

I was childish and unfair
To you, my only friend
I regret, but now it's too late
I can't show you any more
The things I've learned from you
Cause life just took you away
I'm asking why
I'm asking why
Nobody gives an answer
I'm just asking why
But someday we'll meet again
And I'll ask you
I'll ask you why
Why it has to be like this
I'm asking you why
Please give me an answer
Many years and stupid fights
Till we accept to see
How it was and it'll always be
Why it has to be like this
Why we don't realize
Why we're too blind to see the one
Who's always on our side
I'm asking why
I'm asking why
Nobody gives an answer
I'm just asking why
Just tell me why

Why it has to be like this
That the good ones disappear
I'm asking you why
I'm asking why
I'm asking why
Nobody gives an answer
I'm just asking why
I'm asking why

 

 

* Enigma - Why *

 


 

publicado por Cleópatra M.P. às 08:30
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Quarta-feira, 25 de Agosto de 2010

 

 

 

* * *

 

 

.

.

* * *

 

 

I know you think that I shouldn't still love you
Or tell you that
But if I didn't say it, well I'd still have felt it
Where's the sense in that?

I promise I'm not trying to make your life harder
Or return to where we were

But I will go down with this ship
And I won't put my hands up and surrender
There will be no white flag above my door
I'm in love and always will be

I know I left too much mess and destruction
To come back again
And I caused nothing but trouble
I understand if you can't talk to me again

And if you live by the rules of it's over
Then I'm sure that that makes sense

But I will go down with this ship
And I won't put my hands up and surrender
There will be no white flag above my door
I'm in love and always will be

And when we meet, which I'm sure we will
All that was there will be there still
I'll let it pass and hold my tongue
And you will think that I've moved on

I will go down with this ship
And I won't put my hands up and surrender
There will be no white flag above my door
I'm in love and always will be

 

 

* Dido - White Flag *

publicado por Cleópatra M.P. às 00:27
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