Quinta-feira, 2 de Junho de 2011

 

 

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O primeiro de todos os meus sonhos era sobre
um amante e o seu único amor,
caminhando devagar (pensamento no pensamento)
por alguma verde misteriosa terra

até o meu segundo sonho começar—
o céu é agreste de folhas; que dançam
e dançando arrebatam (e arrebatando rodopiam
sobre um rapaz e uma rapariga que se assustam)

mas essa mera fúria cedo se tornou
silêncio: em mais vasto sempre quem
dois pequeninos seres dormem(bonecas lado a lado)
imóveis sob a mágica

para sempre caindo neve.
E então este sonhador chorou: e então
ela rapidamente sonhou um sonho de primavera
—onde tu e eu estamos a florescer


Edward Estlin Cummings

 

 

publicado por Cleópatra M.P. às 14:09
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Quarta-feira, 30 de Março de 2011

 

 

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"Creio que foi o sorriso,

 

o sorriso foi quem abriu a porta.

 

Era um sorriso com muita luz

 

 lá dentro, apetecia

 

entrar nele, tirar a roupa, ficar

 

nu dentro daquele sorriso,

 

Correr, navegar, morrer naquele sorriso."

 

 

 

Eugénio de Andrade

'O Sorriso' in O Outro Nome da Terra

 

 

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Segunda-feira, 21 de Março de 2011

 

 

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"Estas velhas árvores, mais belas
Do que as árvores novas, mais amigas:
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas...

 O homem, a fera, e o insecto, à sombra delas
Vivem, livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.

 Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo! envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem:

 Na glória da alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!"

 

 

Olavo Bilac, Velhas Árvores

 

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Segunda-feira, 7 de Março de 2011

 

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"Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
– nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio."

 

Clarice Lispector

 

publicado por Cleópatra M.P. às 10:40
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Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2011

 

 

 

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"Deito-me ao comprido na erva.
E esqueço do quanto me ensinaram.
O que me ensinaram nunca me deu mais calor nem mais frio,
O que me disseram que havia nunca me alterou a forma de uma coisa.
O que me aprenderam a ver nunca tocou nos meus olhos.
O que me apontaram nunca estava ali: estava ali só o que ali estava."


Alberto Caeiro, in Fragmentos


 

 

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Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2011

 

 

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The Korgis - Everybody's Got To Learn Sometime

 

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"Que o meu coração esteja sempre aberto às pequenas
aves que são os segredos da vida
o que quer que cantem é melhor do que conhecer
e se os homens não as ouvem estão velhos

que o meu pensamento caminhe pelo faminto
e destemido e sedento e servil
e mesmo que seja domingo que eu me engane
pois sempre que os homens têm razão não são jovens

e que eu não faça nada de útil
e te ame muito mais do que verdadeiramente
nunca houve ninguém tão louco que não conseguisse
chamar a si todo o céu com um sorriso"


E. E. Cummings, in  Livrodepoemas

 

 

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Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2011

 

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Demasiada Loucura é o mais divino Juízo
Para um Olhar criterioso
Demasiado Juízo - a mais severa Loucura
É a Maioria que
Nisto, como em Tudo, prevalece
Consente - e és são
Objecta - és perigoso de imediato
E acorrentado


Emily Dickinson, in "Poemas e Cartas"

 

publicado por Cleópatra M.P. às 13:33
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Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010

 

 

 

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One night I had a dream
I dreamed I was walking along the beach with the Lord
and across the sky flashed scenes from my life.
For each scene I noticed two sets of footprints,
one belonged to me and the other to the Lord.

 

 

 

When the last scene of my life flashed before me,
I looked back at the footprints in the sand.
I noticed that many times along the path of my life,
there was only one set of footprints.
I also noticed that it happened at the very lowest
and saddest times in my life.

 


This really bothered me and I questioned the Lord about it.
"Lord, you said that once I decided to follow you,
you would walk with me all the way,
but I have noticed that during the most troublesome times in my life
there is only one set of footprints.
"I don't understand why in times when I needed you most,
you should leave me."

  
The Lord replied:

 

 "My precious, precious child,
I love you and I would never, never leave you
during your times of trial and suffering.
When you saw only one set of footprints,
it was then that I carried you."

 

 

Author unknown, "Footprints"

 

  

publicado por Cleópatra M.P. às 13:16
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Sexta-feira, 8 de Outubro de 2010

 

 

 

... será que uma trovoadazinha é pedir muito?

 

 

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Vá lá...

 

Só uns minutinhos de trovoada...

 

Gosto tanto!

 

 

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 Chuva, caindo tão mansa,
Na paisagem do momento,
Trazes mais esta lembrança
De profundo isolamento.

Chuva, caindo em silêncio
Na tarde, sem claridade...
A meu sonhar d'hoje, vence-o
Uma infinita saudade.

Chuva, caindo tão mansa,
Em branda serenidade.
Hoje minh'alma descansa.
— Que perfeita intimidade!...

  

Francisco Bugalho, Chuva in "Paisagem"

 

 

publicado por Cleópatra M.P. às 16:52
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Segunda-feira, 20 de Setembro de 2010

 

 

 

 

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MEU AMOR DÁ-ME OS TEUS LÁBIOS

 

 

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Lindo. Arrepiante!

 

Impossível não sentir um friozinho no corpo

 

quando se lê este poema e se ouve a interpretação de Camané.

 

 

 

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Sei de um rio
sei de um rio
em que as únicas estrelas
nele sempre debruçadas
são as luzes da cidade

Sei de um rio
sei de um rio
rio onde a própria mentira
tem o sabor da verdade
sei de um rio

Meu amor dá-me os teus lábios
dá-me os lábios desse rio
que nasceu na minha sede
mas o sonho continua

E a minha boca até quando
ao separar-se da tua
vai repetindo e lembrando
sei de um rio
sei de um rio
E a minha boca até quando
ao separar-se da tua
vai repetindo e lembrando
sei de um rio
sei de um rio

Sei de um rio
até quando

 

 

Pedro Homem de Mello

 

 

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Camané - Sei de Um Rio

 

 

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Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010

 

 

 

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Não quero amor
que não saiba dominar-se,
desse, como vinho espumante,
que parte o copo e se entorna,
perdido num instante.

Dá-me esse amor fresco e puro
como a tua chuva,
que abençoa a terra sequiosa,
e enche as talhas do lar.
Amor que penetre até ao centro da vida,
e dali se estenda como seiva invisível,
até aos ramos da árvore da existência,
e faça nascer
as flores e os frutos.
Dá-me esse amor
que conserva tranquilo o coração,
na plenitude da paz!

 

 

Rabindranath Tagore

Amor Pacífico e Fecundo in "O Coração da Primavera"

 


 

publicado por Cleópatra M.P. às 08:20
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Sexta-feira, 3 de Setembro de 2010

 

 

 

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 Como corre a gazela
pela sombra dos bosques,
enlouquecida pelo próprio perfume,
assim corro eu, enlouquecido,
nesta noite do coração de maio
aquecida pela brisa do Sul.

Perdi o caminho
e erro ao acaso.
Quero o que não tenho,
e tenho o que não quero.

A imagem do meu próprio desejo
sai do meu coração
e, dançando diante de mim,
cintila uma e outra vez,
subitamente.

Quero agarrá-la, mas escapa-se.
E, já longe, chama-me outra vez
do atalho ...
Quero o que não tenho
e tenho o que não quero.

 

 

Rabindranath Tagore

Desejo Indomável in "O Coração da Primavera"

 

 

 

 

* Vangelis - Memories of Blue *

 

publicado por Cleópatra M.P. às 09:05
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Sexta-feira, 13 de Agosto de 2010
 

 

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OS MUNDOS QUE ESCONDEMOS.jpeg

.

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Quando estás vestida,
Ninguém imagina
Os mundos que escondes
Sob as tuas roupas.

(Assim, quando é dia,
Não temos noção
Dos astros que luzem
No profundo céu.

Mas a noite é nua,
E, nua na noite,
Palpitam teus mundos
E os mundos da noite.

Brilham teus joelhos,
Brilha o teu umbigo,
Brilha toda a tua
Lira abdominal.

Teus exíguos
- Como na rijeza
Do tronco robusto
Dois frutos pequenos -

Brilham.) Ah, teus seios!
Teus duros mamilos!
Teu dorso! Teus flancos!
Ah, tuas espáduas!

Se nua, teus olhos
Ficam nus também:
Teu olhar, mais longe,
Mais lento, mais líquido.

Então, dentro deles,
Bóio, nado, salto
Baixo num mergulho
Perpendicular.

Baixo até o mais fundo
De teu ser, lá onde
Me sorri tu'alma
Nua, nua, nua...

 

 

Manuel Bandeira, Nu

 

 

publicado por Cleópatra M.P. às 00:17
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Segunda-feira, 2 de Agosto de 2010
 

 

 

 

 

 

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SER MULHER.jpeg

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Mulher, não és só obra de Deus;
os homens vão-te criando eternamente
com a formosura dos seus corações,
e os seus anseios
vestiram de glória a tua juventude.

Por ti o poeta vai tecendo
a sua imaginária tela de oiro:
o pintor dá às tuas formas,
dia após dia,
nova imortalidade.

Para te adornar, para te vestir,
para tornar-te mais preciosa,
o mar traz as suas pérolas,
a terra o seu oiro,
sua flor os jardins do Verão.

Mulher, és meio mulher,
meio sonho.

 

 

 


Rabindranath Tagore,

A Mulher Inspiradora in "O Coração da Primavera"

.

.

 

 

 

* Neneh Cherry - Woman*

 

 

 

(...)

There ain't a woman in this world,
Not a woman or a little girl,
That can't deliver love
In a man's world.

(...)


 

 

 

 

publicado por Cleópatra M.P. às 00:23
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Quarta-feira, 28 de Julho de 2010

 

 

Para ser grande, sê inteiro,

Põe quanto és no mínimo que fazes;
Nada
teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Assim em cada lago,

a lua toda brilha

porque alta vive.

 

 

Ricardo Reis in "Odes de Ricardo Reis"

 

 

* * *

 

 

                              * * *

 

 

                                                     

 


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Quarta-feira, 21 de Julho de 2010
 

 

 

 

* * *

.CORAÇÃO PULSÁTIL.jpeg

 

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Tempo — definição da angústia.
Pudesse ao menos eu agrilhoar-te
Ao coração pulsátil dum poema!
Era o devir eterno em harmonia.
Mas foges das vogais, como a frescura
Da tinta com que escrevo.
Fica apenas a tua negra sombra:
— O passado,
Amargura maior, fotografada.

Tempo...
E não haver nada,
Ninguém,
Uma alma penada
Que estrangule a ampulheta duma vez!

Que realize o crime e a perfeição
De cortar aquele fio movediço
De areia
Que nenhum tecelão
É capaz de tecer na sua teia!
.

.

Miguel Torga, Tempo in 'Cântico do Homem'

 

 


publicado por Cleópatra M.P. às 23:50
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Sábado, 17 de Julho de 2010

 

 

* * *

 

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* * *

 

Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem diga nem todas, só as de verão.
Mas no fundo isso não tem muita importância.
O que interessa mesmo não são as noites em si, são os sonhos.
Sonhos que o homem sonha sempre.
Em todos os lugares, em todas as épocas do ano,
dormindo ou acordado.

William Shakespeare

 

 

* Loreena McKennitt - The Mistic's Dream *


 

... Um sonho nebuloso numa noite terrena

Paira sobre a lua crescente...

 

*

 

[... A clouded dream on an earthly night

Hangs upon the crescent moon...]

 


publicado por Cleópatra M.P. às 00:12
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Terça-feira, 13 de Julho de 2010

 

 

* * *


* * *



De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

 

 

Vinícios de Moraes, Soneto de Fidelidade

 


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Terça-feira, 29 de Junho de 2010

 

 

Hoje um amigo fez-me recordar este poema maravilhoso de Eduardo Alves da Costa, cuja autoria é muitas vezes atribuída, erradamente, ao poeta russo Maiakovski.

 

* * *

 

 

* * *



Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakósvki.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho e nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz:
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas no tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares,
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo.
Por temor, aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!

 

 

Eduardo Alves da Costa, No caminho com Maiakóvski, 1936

 


publicado por Cleópatra M.P. às 09:53
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Sábado, 26 de Junho de 2010

 

 

* * *

 

 

 

* * *

 

Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.

Às vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.

Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:

Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver.


 

William Shakespeare

 

 

* Natalie Cole - I Miss You Like Crazy *

 

 


publicado por Cleópatra M.P. às 02:24
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