Sexta-feira, 18 de Junho de 2010

 

 

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Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento ...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva ...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja ...

 


Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXI"

 

 

* Julee Cruise - The World Spins *


publicado por Cleópatra M.P. às 00:01
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Hoje, se pudesse, eu própria comia a terra TODA, não para lhe sentir o sabor,mas, para a tirar debaixo dos meus pés e...voar
A. Light
Anónimo a 18 de Junho de 2010 às 12:09

Querida amiga, vais conseguir voar mesmo sem teres de engolir a terra toda... e vais ver que sabe bem melhor voar bem leve, sem nada no estômago (!) e ir vendo a terra a partir de outras perspectivas. E enquanto vais subindo nesse teu voo acelerado, tudo o que queres fazer desaparecer vai esfumar-se naturalmente...

Que tenhas um voo light!

Um beijo grande! :-)


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