Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

 

 

 

É TÃO BOM SABER VOAR 1.jpg

 

* * *

 Todos podemos ser um Fernão Capelo Gaivota!

Provoca muita incompreensão, é certo...

Atrai muita inveja, é certo...

Tentam banir-nos, também é certo...

Mas vale a pena.

A compensação é maior que todas as angústias e contratempos.

E há mais 'Fernãos Capelos Gaivotas' por aí!

Esses compreendem-nos.

Os outros, são apenas 'os outros'...

são aqueles que olham mas não vêem...

que ouvem mas não escutam...

que tocam mas não sentem...

que decoram mas não compreendem...

que dormem mas não sonham...

que respiram mas não vivem!

 

Cleo

 

* * *

 

 "(...) A maior parte das gaivotas não se querem incomodar a aprender mais que os rudimentos do voo, como ir da costa à comida e voltar.

Para a maior parte das gaivotas, o que importa não é saber voar, mas comer. Para esta gaivota, no entanto, o importante não era comer, mas voar. Mais que tudo, Fernão Capelo Gaivota adorava voar.

Como veio a descobrir, esta maneira de pensar não o fazia muito popular entre as outras aves. (...) - Porquê? Fernão, porquê? - perguntava-lhe a mãe. - Por que não podes ser como o resto do bando? Por que não deixas os voos rasos para os pelicanos e para o albatroz? Por que não comes? Filho, és só penas e osso!

- Não me importo de ser apenas ossos, mãe. Só quero saber aquilo que consigo fazer no ar, e o que não consigo, mais nada. Só quero saber.

(...)

Não adianta. Sou uma gaivota. A minha natureza limita-me. se estivesse destinado a aprender tanto sobre o voo, teria mapas em lugar de miolos. Se estivesse destinado a voar a alta velocidade, teria as asas curtas de um falcão e comeria ratos em vez de peixe. O meu pai tinha razão. Devo voar para junto do Bando e contentar-me com aquilo que sou, uma pobre e limitada gaivota. 

(...) 

a partir desse momento prometeu a si mesmo ser uma gaivota normal. Assim, todos ficariam felizes.

(...)

Tais promessas são só para as gaivotas que aceitam o vulgar. Quem conseguiu atingir a perfeição na aprendizagem não tem necessidade desse tipo de promessas. Quando o Sol começou a subir, já Fernão Capelo Gaivota treinava outra vez. A uma distância de mil e quinhentos metros, os barcos de pesca eram pequenos pontos sobre o azul calmo da água, e o Bando do Pequeno-Almoço, uma ténue núvem de átomos de poeira, movendo-se em círculo. Estava vivo, trémulo de prazer, orgulhoso de ter dominado o medo.

 

 

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(...)

'quando souberem deste acontecimento', pensou, 'ficarão doidos de alegria. Como vale a pena agora viver! Em vez de andar de um lado para o outro à procura de peixe junto dos barcos, temos uma razão para viver! Podemos saír da ignorância, podemos ser criaturas perfeitas, inteligentes e hábeis. Podemos ser livres! Podemos aprender a voar!'

(...)

- Fernão Capelo Gaivota! Apresente-se no Centro! - As palavras do Mais Velho soaram em tom cerimonioso. Ser chamado ao Centro significava ou uma grande vergonha ou uma grande honra. Ser chamado ao Centro por honra era a forma de nomear os principais chefes das gaivotas. 'Claro', pensou ele, 'foi o Bando do pequeno Almoço; presenciaram o Acontecimento'. mas não quero honras. Não tenho vontade de ser chefe. Só quero partilhar o que descobrir, mostrar a todos os horizontes que se nos deparam'. Avançou. 

- Fernão Capelo Gaivota - disse o Mais Velho. - Apresenta-te no Centro por vergonha, à frente das gaivotas tuas semelhantes.

Foi como se lhe tivessem batido. Os joelhos falharam-lhe, as penas descaíram, sentiu um zumbido nos ouvidos. 'Ser chamado ao Centro por vergonha? Impossível. O Acontecimento. Eles não compreendem. Estão enganados, estão enganados!' (...) - A Irmandade foi quebrada - disseram as gaivotas, em uníssono, e, de comum acordo, taparam os ouvidos e viraram-lhe as costas. 

 

 

Fernão Gaivota passou o resto dos seus dias sozinho, mas voou muito para além dos Penhascos Longínquos. O seu único desgosto não era a solidão, mas o facto de as outras gaivotas se recusarem a aceitar a glória do voo aue as esperava; recusavam-se a abrir os olhos e ver. (...) O que outrora ambicionara para todo o Bando, tinha agora só para si; aprendera a voar e não lamentava o preço que pagara por isso. Fernão Gaivota descobriu que o tédio, o medo e a ira são as razões por que a vida de uma gaivota é tão curta (...).

(...)

 

- Fernão, tu já foste banido uma vez. Que te leva a pensar que as gaivotas do teu tempo te poderiam dar agora ouvidos? Conheces o provérbio e é bem verdade:

 

Vê mais longe a gaivota que voa mais alto.

 

As gaivotas lá de onde vieste estão poisadas no chão, gritando e lutando umas com as outras. Encontram-se a mil e quinhentos quilómetros do paraíso, e, tu, ainda dizes que lhes queres mostrar o paraíso! Fernão, elas nem sequer conseguem enxergar as pontas das suas próprias asas!

 

 

 

Fica aqui. Ajuda as gaivotas aqui, aquelas que já estão preparadas para entenderem o que tens para lhes dizer. - Ficou calado durante um momento e, depois, disse: - E se o Chiang tivesse regressado aos seus velhos mundos? Onde estarias tu hoje?

A última frase foi significativa, e Henrique tinha razão.

 

Vê mais longe a gaivota que voa mais alto."

 

 

(...)

 

 Richard Bach, in Fernão Capelo Gaivota

 

* * *

 

A compensação é maior que todas as angústias e contratempos.

 E viva os 'Fernãos Capelos Gaivotas' que andam por aí! 

 

 

 

É tão bom saber e conseguir VOAR...!

 

Cleo

 

publicado por Cleópatra M.P. às 00:16
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