Terça-feira, 27 de Outubro de 2009

 

Palavras são desnecessárias neste caso.
Quem viu o filme e ouviu o(s) tema(s), entenderá porquê.


Aconteceu lembrar-me hoje da época em que vi o filme, há já uns anos... fase luminosa que atravessei, um céu azul com poucas núvens muito brancas, mas que de repente e quase sem aviso se tornaram escuras e começou a chover. E choveu durante tempo demais. Às vezes, essa chuva ainda aparece... mas só às vezes! Até porque, "It can't rain all the time"...


Cleópatra MP

 

 

 

* * *

publicado por Cleópatra M.P. às 23:06
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"Em meio a um cristal de ecos
O poeta vai pela rua
Seus olhos verdes de éter
Abrem cavernas na lua.
A lua volta de flanco
Eriçada de luxúria
O poeta, aloucado e branco
Palpa as nádegas da lua.
Entre as esfera nitentes
Tremeluzem pelos fulvos
O poeta, de olhar dormente
Entreabre o pente da lua.
Em frouxos de luz e água
Palpita a ferida crua
O poeta todo se lava
De palidez e doçura.
Ardente e desesperada
A lua vira em decúbito
A vinda lenta do espasmo
Aguça as pontas da lua.
O poeta afaga-lhe os braços
E o ventre que se menstrua
A lua se curva em arco
Num delírio de luxúria.
O gozo aumenta de súbito
Em frêmitos que perduram
A lua vira o outro quarto
E fica de frente, nua.
O orgasmo desce do espaço
Desfeito em estrelas e nuvens
Nos ventos do mar perpassa
Um salso cheiro de lua
E a lua, no êxtase, cresce
Se dilata e alteia e estua
O poeta se deixa em prece
Ante a beleza da lua.
Depois a lua adormece
E míngua e se apazigua...
O poeta desaparece
Envolto em cantos e plumas
Enquanto a noite enlouquece
No seu claustro de ciúmes."

 

 

Vinícios de Moraes, Antologia Poética


publicado por Cleópatra M.P. às 15:16
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