Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011

 

 Ouvi, esta manhã, a crónica de Fernando Alves na TSF e não resisto a publicá-la aqui.

 

 

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Ratoeira

"Um estudo realizado por uma equipa de neurologistas da Universidade de Chicago (e agora divulgado na revista Science) conclui que os ratos podem ser altruístas. Colocados perante um dilema - comer um pedaço de chocolate ou socorrer um outro rato que ficara fechado numa gaiola - os ratos optavam por salvar o companheiro em dificuldades. Mais: em várias situações, os ratos libertavam os companheiros e, depois de tudo terem feito para pôr fim ao seu sofrimento, partilhavam com eles o chocolate. O altruísmo entre ratos é uma surpresa para os cientistas e atrapalha a efabulação e o provérbio. Esta experiência , agora que fomos apanhados na gaiola, na ratoeira, dos mercados obrigados a roer o duro e amargo chocolate de troikas e Directórios, talvez deva impor uma releitura do provérbio alemão segundo o qual " é preferível alimentar um gato do que muitos ratos".
A verdade é que o estudo dos neurologistas de Chicago, conferindo aos ratos uma capacidade de compaixão e empatia pelos companheiros, sustentando que eles não suportam ver outros ratos aprisionados, lança sérias reticências sobre a ideia de que os ratos são os primeiros a abandonar o navio no momento do desastre.
Ora faz agora um ano, entrevistado pela revista brasileira Época, Oren Harman, um cientista israelita, autor do livro "O Preço do Altruísmo", sublinhava a diferença entre altruísmo e solidariedade. Para ele, "o altruísmo é uma acção em que, para beneficiar o outro, o indivíduo arca com um custo ou um prejuízo para si próprio. Embora o altruísmo tenha importância social é, muito mais, uma acção pessoal, motivada por razões pessoais" Já a solidariedade, defendia Harman, "é um conceito mais social, baseado no sentimento colectivo de unidade ,e não requer sacrifício pessoal".
Este altruísmo dos ratos, agora revelado pelo estudo de Chicago ( nada a ver com uma outra famosa escola de Chicago que ajudou a conceber novas ratoeiras) deve incluir-se naquilo que o autor israelita chama "altruísmo biológico". Ele explica que até uma amiba pode ser altruísta. Já quanto ao altruísmo psicológico (aquele que praticamos) não é necessário ser demasiado cínico para admitir que ele esconde, não raras vezes, formas mais ou menos subtis de egoísmo.
A tese de Harman é a de que a biologia, a psicologia e a sociologia explicam o impulso que existe em nós para, em prejuízo próprio, ajudar o próximo. Não se pede tanto aos que definem e aplicam políticas com impacto na nossa vida, na nossa mesa, na nossa ratoeira. Não se lhes pede que sejam altruístas. Até, com franqueza, se dispensa que o sejam. O que se agradece, vá lá, o que se exige, é que sejam solidários. Um patamar acima dos ratos."
 
 
Por Fernando Alves in Sinais, TSF, 13 de Dezembro de 2011
 
 
Pode ser ouvido AQUI!
 
publicado por Cleópatra M.P. às 09:48
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