Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

 

 

 

 

 

Every city has a sex and an age which have nothing to do with demography. Rome is feminine. So is Odessa. London is a teenager, an urchin, and, in this, hasn’t change since the time of Dickens. Paris, I believe, is a man in his twenties in love with an older woman.

 

John Berger
 
 
 
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O SEXO DAS CIDADES | SEX OF CITIES

 

 
* * *
 
 
 
“Cada cidade tem um sexo e uma idade que não tem nada a ver com a demografia. Roma é feminino. Odessa também. Londres é um adolescente, um miúdo, e, neste, não mudou desde os tempos de Dickens. Paris, creio eu, é um homem na casa dos vinte anos apaixonado por uma mulher mais velha.”

 
John Berger
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Terça-feira, 14 de Outubro de 2014

 

 

 

Comemora-se hoje o 108º aniversário de Hannah Arendt.

Nascida em  Linden, Alemanha, a 14 de outubro de 1906. Viria a falecer em Nova Iorque, Estados Unidos, a 4 de dezembro de 1975.

Hannah Arendt foi uma filósofa política alemã de origem judaica, uma das mais influentes do século XX. 

 

 

 

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HANNAH ARENDT - 108 ANIVERSARIO 

 

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"Haverá talvez verdades que ficam além da linguagem e que podem ser de grande relevância para o homem no singular, isto é, para o homem que, seja o que for, não é um ser político. Mas os homens no plural, isto é, os homens que vivem e se movem e agem neste mundo, só podem experimentar o significado das coisas por poderem falar e ser inteligíveis entre si e consigo mesmos.
        Mais próximo e talvez igualmente decisivo é outro acontecimento não menos ameaçador: o advento da automação, que dentro de algumas décadas provavelmente esvaziará as fábricas e libertará a humanidade do seu fardo mais antigo e mais natural, o fardo do trabalho e da sujeição à necessidade. Mais uma vez, trata-se de um aspecto fundamental da condição humana; mas a rebelião contra esse aspecto, o desejo de libertação das 'fadigas e penas' do trabalho é tão antigo como a história de que se tem registo. Por si, a isenção do trabalho não é novidade: já foi um dos mais arraigados privilégios de uma minoria. Neste segundo caso, parece que o progresso científico e as conquistas da técnica serviram apenas para a realização de algo com que todas as eras anteriores sonharam e nenhuma pôde realizar. (...) O que se nos depara, portanto, é a possibilidade de uma sociedade de trabalhadores sem trabalho, isto é, sem a única actividade que lhes resta. Certamente nada poderia ser pior."

 

 

Hannah Arendt, in A Condição Humana, 1958

 

 

 

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Sexta-feira, 20 de Dezembro de 2013

 

 

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CAPITÃO DE MINHA ALMA

 

 

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Do fundo da noite que me cobre,

 

Preta como o Breu de lado a lado

 

Agradeço a todos deuses pelo nobre

 

Inconquistável espírito a mim dado.

 

 

 

No acaso todo das circunstâncias

 

Não me deixei cair nem gritar

 

Apesar de um estouro de ânsias

 

Minha cabeça sangra sem curvar

 

 

 

Além desse lugar de tristezas e insanos

 

Nada se vê, só o Horror desde cedo

 

E ainda assim a ameaça dos anos

 

encontra-me e encontrar-me-á sem medo

 

 

 

Não importa quantas vezes desatino

 

nem quantas vezes a vida me espalma

 

Sou o mestre e senhor do meu destino:

 

Sou o capitão de minha alma.

 

 

 

William Ernest Henley, INVICTUS (1875)

 

 

 

* * *

 

 

Out of the night that covers me,

Black as the pit from pole to pole,

I thank whatever gods may be

For my unconquerable soul.



In the fell clutch of circumstance

I have not winced nor cried aloud.

Under the bludgeonings of chance

My head is bloody, but unbow’d.



Beyond this place of wrath and tears

Looms but the Horror of the shade,

And yet the menace of the years

Finds and shall find me unafraid.



It matters not how strait the gate,

How charged with punishments the scroll,

I am the master of my fate:

I am the captain of my soul.

 

 

William Ernest Henley, INVICTUS (1875)

 
 

 

 

 
 

 

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Terça-feira, 10 de Dezembro de 2013

 

 

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É POSSÍVEL

 

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“Não deixe sua chama se apagar com a indiferença. Nos pântanos desesperançosos do ainda, do agora não. Não permita que o herói na sua alma padeça frustrado e solitário com a vida que ele merecia, mas nunca foi capaz de alcançar. Podemos alcançar o mundo que desejamos. Ele existe. É real. É possível. É seu.

 

Ayn Rand

 

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Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012
 
*FILTRO*SOLAR*
*
Sunscreen de Baz Luhrmann.
 
 
Medicamento eficaz e não sujeito a receita médica.
 
Modo de utilização:
Ouvir pelo menos duas vezes por dia, 
de preferência ao acordar e final da tarde.
Após as duas primeiras semanas de
tratamento, e daí em diante,
ouvir uma vez por dia de preferência ao acordar.
 
Contra indicações:
Não tem.
 
Idade de utilização:
Todas as idades, incluindo crianças.
 
Eficácia:
G a r a n t i d a !
 
 
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Domingo, 8 de Janeiro de 2012

 

 

 

Muito importante não esquecer.

 

Aqui fica a história dos Direitos Humanos.

 

 

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A História dos Direitos Humanos
 
 

 

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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012

 

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"Eu venho desde ontem,
do escuro passado e esquecido
com as mãos amarradas pelo tempo,
e a boca selada das épocas remotas.

Venho carregada das dores antigas,
Guardadas por séculos,
arrastando correntes longas e indestrutíveis…

Eu venho da obscuridade,
do poço do esquecimento,
com o silêncio nas costas,
do medo ancestral que tem corroído a minha alma
desde o princípio dos tempos…

Venho de ser escrava por milénios,
escrava de maneiras diferentes:
submetida ao desejo de meu raptor na Pérsia,
escravizada na Grécia pelo poder romano,
convertida em vestal nas terras do Egipto,
oferecida aos deuses em ritos milenares,
vendida no deserto
ou avaliada como uma mercadoria…

Eu venho de ser apedrejada por adúltera nas ruas de Jerusalém,
por uma multidão dos hipócritas,
pecadores de todas as espécies,
que clamavam aos céus pela minha punição…

Tenho sido mutilada em muitos povos
para privar o meu corpo dos prazeres
e convertida em animal de carga
trabalhadora e parideira da espécie…

Têm-me violado sem limites,
em todos os cantos do planeta,
sem levarem em consideração a minha idade madura
ou juventude , minha cor ou estatura…


Tive que servir ontem aos senhores,
submeter-me aos seus desejos,
entregar-me,doar-me, destruir-me
para esquecer-se de ser uma entre milhares.

Fui cortesã de um senhor em Castilha,
Esposa de um marquês
E concubina de um comerciante grego,
Prostituta em Bombaim e nas Filipinas
E esse tratamento foi sempre igual….


De um e de outros sempre fui escrava,
De um e de outros sempre fui dependente,
menor de idade em todos os assuntos,
Invisível na História mais antiga
e esquecida na História mais recente
Não tive a luz do alfabeto…

Durante muitos séculos,
reguei com as minhas lágrimas a terra
que devia cultivar desde a infância….

Tenho percorrido o mundo em milhares das vidas
que me têm sido entregues uma a uma
e tenho conhecido todos os homens do planeta:
Os grandes, os pequenos, os bravos e cobardes,
Os vis os honestos, os bons e os terríveis
Mas quase todos levam a marca do tempo…

Uns manejam vidas como patrões e senhores,
Asfixiam, aprisionam e aniquilam
Outros subjugam almas,
comercializam com ideias
assustam ou seduzem
manipulam ou oprimem…

Conheço-os a todos.
Estive perto de uns e de outros
Servindo cada dia,
Recolhendo migalhas,
Humilhando-me a cada passo,
cumprindo o meu karma…

Tenho percorrido todos os caminhos
arranhando paredes, ensaiando silêncios
tratando de cumprir as ordens de ser
como eles querem,
mas não tenho conseguido…

Jamais foi permitido que eu escolhesse
O rumo da minha vida.
Tenho caminhado sempre em disjunção
entre o ser santa ou prostitua…

Tenho conhecido o ódio e os inquisidores
que em nome da santa madre igreja
condenam o meu corpo ao seu serviço
às infames chamas da fogueira.

Têm-me chamado de múltiplas maneiras:
Bruxa, louca, adivinha, pervertida, aliada de Satã,
escrava da carne, sedutora ninfomaníaca
culpada de todos os males da Terra…

Mas segui vivendo,
arando, colhendo, costurando, construindo,
cozinhando, tecendo, curando, protegendo,
parindo, criando, amamentando, cuidando
e, sobretudo, amando…

Tenho povoado a Terra de senhores e escravos,
de ricos e mendigos, de génios e idiotas,
mas todos tiveram o calor do meu ventre,
meu sangue e seu alimento
e levaram com eles um pouco da minha vida…

Consegui sobreviver à conquista brutal e sem piedade
de Castilha nas terras da América.
Mas perdi meus deuses e a minha terra
e meu ventre pariu gente mestiça
depois que o meu patrão me tomou à força…

E neste continente mestiço prossegui a minha existência
carregada de dores quotidiana negra e escrava .
No meio da fazenda me vi obrigada
A receber o patrão quantas vezes ele quisesse
Sem poder expressar nenhuma queixa…

Depois fui costureira,
camponesa , servente , agricultora
Mãe de muitos filhos miseráveis,
vendedora ambulante, curandeira,
babá,cuidadora de velhos,
artesã de mãos prodigiosas, tecelã bordadeira,
operária, professora, secretária, enfermeira….

Sempre servindo a todos
convertida em abelha ou semeadeira,
cazendo as tarefas mais ingratas,
moldada como uma jarra por mãos alheias…
Vieram milhões de mulheres juntas escutar a minhas queixas.
Falou-se de dores milenares,
dos enormes grilhões que os séculos
nos fizeram carregar nas costas
e formamos com todos os nossos lamentos
um caudaloso rio
que começou a percorrer o Universo,
afogando a injustiça e os esquecimento…

O mundo ficou paralisado,
os homens e mulheres não caminharam.
Pararam as máquinas, os tornos,
os grandes edifícios e as fábricas,
ministérios e hotéis, oficinas, hospitais,
e lojas e lares e cozinhas…

Nós mulheres finalmente descobrimos:
Somos tão poderosas quanto eles
E somos muito mais numerosas sobre a Terra!
Mais que o silêncio, mais que o sofrimento,
Mais que a infância e mais que a miséria!

Que este cântico ressoe
nas longínquas terras da Indochina
nas cálidas areias de África,
no Alasca e na América Latina

Proclamando a igualdade entre os géneros
Para construir um mundo solidário
-diferente, horizontal, sem poderes -
a conjugar a ternura, a paz e a vida
a beber da ciência sem distinção.

A derrotar o ódio e os preconceitos,
O poder de uns poucos, as mesquinhas fronteiras ,
a amassar com as mãos de ambos os sexos,
o pão da existência…"




Jenny del Pilar Londoño López, Reencarnações

 

 

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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011

 

 Ouvi, esta manhã, a crónica de Fernando Alves na TSF e não resisto a publicá-la aqui.

 

 

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Ratoeira

"Um estudo realizado por uma equipa de neurologistas da Universidade de Chicago (e agora divulgado na revista Science) conclui que os ratos podem ser altruístas. Colocados perante um dilema - comer um pedaço de chocolate ou socorrer um outro rato que ficara fechado numa gaiola - os ratos optavam por salvar o companheiro em dificuldades. Mais: em várias situações, os ratos libertavam os companheiros e, depois de tudo terem feito para pôr fim ao seu sofrimento, partilhavam com eles o chocolate. O altruísmo entre ratos é uma surpresa para os cientistas e atrapalha a efabulação e o provérbio. Esta experiência , agora que fomos apanhados na gaiola, na ratoeira, dos mercados obrigados a roer o duro e amargo chocolate de troikas e Directórios, talvez deva impor uma releitura do provérbio alemão segundo o qual " é preferível alimentar um gato do que muitos ratos".
A verdade é que o estudo dos neurologistas de Chicago, conferindo aos ratos uma capacidade de compaixão e empatia pelos companheiros, sustentando que eles não suportam ver outros ratos aprisionados, lança sérias reticências sobre a ideia de que os ratos são os primeiros a abandonar o navio no momento do desastre.
Ora faz agora um ano, entrevistado pela revista brasileira Época, Oren Harman, um cientista israelita, autor do livro "O Preço do Altruísmo", sublinhava a diferença entre altruísmo e solidariedade. Para ele, "o altruísmo é uma acção em que, para beneficiar o outro, o indivíduo arca com um custo ou um prejuízo para si próprio. Embora o altruísmo tenha importância social é, muito mais, uma acção pessoal, motivada por razões pessoais" Já a solidariedade, defendia Harman, "é um conceito mais social, baseado no sentimento colectivo de unidade ,e não requer sacrifício pessoal".
Este altruísmo dos ratos, agora revelado pelo estudo de Chicago ( nada a ver com uma outra famosa escola de Chicago que ajudou a conceber novas ratoeiras) deve incluir-se naquilo que o autor israelita chama "altruísmo biológico". Ele explica que até uma amiba pode ser altruísta. Já quanto ao altruísmo psicológico (aquele que praticamos) não é necessário ser demasiado cínico para admitir que ele esconde, não raras vezes, formas mais ou menos subtis de egoísmo.
A tese de Harman é a de que a biologia, a psicologia e a sociologia explicam o impulso que existe em nós para, em prejuízo próprio, ajudar o próximo. Não se pede tanto aos que definem e aplicam políticas com impacto na nossa vida, na nossa mesa, na nossa ratoeira. Não se lhes pede que sejam altruístas. Até, com franqueza, se dispensa que o sejam. O que se agradece, vá lá, o que se exige, é que sejam solidários. Um patamar acima dos ratos."
 
 
Por Fernando Alves in Sinais, TSF, 13 de Dezembro de 2011
 
 
Pode ser ouvido AQUI!
 
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Terça-feira, 6 de Setembro de 2011

 

 

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Morreu ontem aos 66 anos, Vann Nath, artista plástico, um dos sete (sim, apenas SETE!) sobreviventes da prisão S-21 do regime Khmer Vermelho no Camboja.

 

“Só sobrevivi porque o Duch se sentia bem quando passava pelo meu atelier. O meu sofrimento não pode ser apagado, as memórias continuam a perseguir-me”

 

Vann Nath utilizou a sua arte, os seus quadros, para mostrar ao Mundo as torturas e as condições desumanas que se viveram no Camboja entre 1975 e 1979.

 

 

 

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VER MAIS AQUI

 

 

 

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Sexta-feira, 5 de Agosto de 2011

 

 

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Sonho a cores, mas vivo a preto e branco.

 

Vivo a preto e branco, mas sonho a cores.

 

 

Cleo

 

 

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Segunda-feira, 1 de Agosto de 2011

 

 

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Sábado, 19 de Fevereiro de 2011

 

 

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"Releio passivamente, recebendo o que sinto como uma inspiração e um livramento, aquelas frases simples de Caeiro, na referência natural do que resulta do pequeno tamanho de sua aldeia. Dali, diz ele, porque é pequena, pode ver-se mais do mundo do que da cidade; e pori sso a aldeia é maior que a cidade...

 

 

 

  "Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura."

 

 
Frases como estas, que parecem crescer sem vontade que as houvesse dito, limpam-me de toda a metafísica que espontaneamente acrescento à vida. Depois de as ler, chego à minha janela sobre a rua estreita, olho o grande céu e os muitos astros, e sou livre com um esplendor alado cuja vibração me estremece no corpo todo. "Sou do tamanho do que vejo!"Cada vez que penso esta frase com toda a atenção dos meus nervos, ela me parece mais destinada a reconstruir consteladamente o universo. "Sou do tamanho do que vejo!" Que grande posse mental vai desde o poço das emoções profundas até às altas estrelas que se reflectem nele e, assim, em certo modo, ali estão. E já agora, consciente de saber ver, olho a vasta metafísica objectiva dos céus todos com uma segurança que me dá vontade de morrer cantando. "Sou do tamanho do que vejo!" E o vago luar, inteiramente meu, começa a estragar de vago o azul meio-negro do horizonte. Tenho vontade de erguer os braços e gritar coisas de uma selvageria ignorada, de dizer palavras aos mistérios altos, de afirmar uma nova personalidade larga aos grandes espaços da matéria vazia.
Mas recolho-me e abrando-me. "Sou do tamanho do que vejo!" E a frase fica sendo-me a alma inteira, encosto a ela todas as emoções que sinto, e sobre mim, por dentro, como sobre a cidade por fora, cai a paz indecifrável do luar duro que começa largo com o anoitecer."

 

 

   

Fernando Pessoa, in O Livro do Desassossego

 

 

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Domingo, 6 de Fevereiro de 2011

 

 
I am my voice that I haven't known,
I am the truth inside the chaos,
I am the rights of the people suffering in tyranny,
I am freedom fighters that aren't afraid,
I am the secrets that didn't die,
I am free, my words are free!
Don't forget the price of the bread!
I am the secrets of the Red Rose, whose redness people adore but bury its scent.
The Rose rises with a coat of fire and calls freedom fighters!

 

 

 

Amel MATHLOUTHI - Tunisian girl sings a song during demonstraitons

 

 

 

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Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2011

 

 

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* * * Artigo I * * * 

 Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

 
* * * Artigo II * * *

 Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

 

* * * Artigo III * * *

 Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

 

 * * * Artigo IV * * *

 Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

 

 Parágrafo único:

 O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

 

 * * * Artigo V * * * 

 Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

 

 * * * Artigo VI * * * 

 Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

 

 * * * Artigo VII * * * 

 Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

 

* * * Artigo VIII * * * 

Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

 

* * * Artigo IX * * * 

Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.

 

* * * Artigo X * * * 

Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.

 

* * * Artigo XI * * * 

Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

 

* * * Artigo XII * * * 

Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

 

Parágrafo único:

Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

 

* * * Artigo XIII * * *

Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

 

* * * Artigo Final * * * 

Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem. 
 

 

Thiago de Mello, Os Estatutos do Homem  

Santiago do Chile, Abril de 1964

 

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Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010

 

 

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NOBEL DA PAZ ATRIBUÍDO AO ACTIVISTA CHINÊS LIU XIAOBO

 

 

O MANIFESTO QUE VALEU A PRISÃO A XIAOBO

 

 

A 'CARTA 8' - CHARTER 08

 

 

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Sábado, 27 de Novembro de 2010

 

 

Muito, muito bom.

 

 

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Cazuza - O Tempo Não Pára

 

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publicado por Cleópatra M.P. às 21:25
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Quinta-feira, 4 de Novembro de 2010

 

 

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"O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.

 

O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso. O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.

 

Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.

 

O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.

 

E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.

 

Ou nós, ou o palhaço."

 

Mário Crespo, in JN, 14.12.2009

 

 

 

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