Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

 

 

 

“You still have a lot of time to make yourself be what you want.”



Susan Eloise Hinton, The Outsiders 

 

 



* * *

MUITO TEMPO | A LOT OF TIME

 

 

* * *

 

 

 

“Ainda tens muito tempo para te tornares naquilo que quiseres.”

 

Susan Eloise Hinton, Os Marginais

 

 

 

 

publicado por Cleópatra M.P. às 00:00
link do post | comentar | favorito!

Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2013

 

 

O fantástico livro Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, comemora hoje o seu 200º aniversário.

 

 

* * *

200 ANOS_ORGULHO E PRECONCEITO3

 

* * *

 

200 ANOS_ORGULHO E PRECONCEITO1

 

* * *

 

200 ANOS_ORGULHO E PRECONCEITO2

 

* * *

 

 

 

Ver mais AQUI!

 

 

publicado por Cleópatra M.P. às 00:00
link do post | comentar | favorito!

Domingo, 16 de Dezembro de 2012



Vale a pena lembrar Jane Austen, no dia do seu 237º aniversário.



* * *

 

FELIZ ANIVERSÁRIO, JANE!

 

* * *

 

 Jane Austen's House Museum

 

Austen 

 

Jane Austen 

 

The Jane Austen Centre

 

Jane Austen - Wikipedia

 

 

 

publicado por Cleópatra M.P. às 00:00
link do post | comentar | favorito!

Sexta-feira, 9 de Novembro de 2012

 

 

* * *

 

OS POBREZINHOS... ESSA GENTE

 

* * *

 

"Na minha família os animais domésticos não eram cães nem gatos nem pássaros; na minha família os animais domésticos eram pobres. Cada uma das minhas tias tinha o seu pobre, pessoal e intransmissível, que vinha a casa dos meus avós uma vez por semana buscar, com um sorriso agradecido, a ração de roupa e comida.

 

Os pobres, para além de serem obviamente pobres (de preferência descalços, para poderem ser calçados pelos donos; de preferência rotos, para poderem vestir camisas velhas que se salvavam, desse modo, de um destino natural de esfregões; de preferência doentes a fim de receberem uma embalagem de aspirina), deviam possuir outras características imprescindíveis: irem à missa, baptizarem os filhos, não andarem bêbedos, e sobretudo, manterem-se orgulhosamente fiéis a quem pertenciam. Parece que ainda estou a ver um homem de sumptuosos farrapos, parecido com o Tolstoi até na barba, responder, ofendido e soberbo, a uma prima distraída que insistia em oferecer-lhe uma camisola que nenhum de nós queria:

 

- Eu não sou o seu pobre; eu sou o pobre da minha Teresinha.

 

O plural de pobre não era «pobres». O plural de pobre era «esta gente». No Natal e na Páscoa as tias reuniam-se em bando, armadas de fatias de bolo-rei, saquinhos de amêndoas e outras delícias equivalentes, e deslocavam-se piedosamente ao sítio onde os seus animais domésticos habitavam, isto é, uma bairro de casas de madeira da periferia de Benfica, nas Pedralvas e junto à Estrada Militar, a fim de distribuírem, numa pompa de reis magos, peúgas de lã, cuecas, sandálias que não serviam a ninguém, pagelas de Nossa Senhora de Fátima e outras maravilhas de igual calibre. Os pobres surgiam das suas barracas, alvoraçados e gratos, e as minhas tias preveniam-me logo, enxotando-os com as costas da mão:

 

- Não se chegue muito que esta gente tem piolhos.

 

Nessas alturas, e só nessas alturas, era permitido oferecer aos pobres, presente sempre perigoso por correr o risco de ser gasto

 

(- Esta gente, coitada, não tem noção do dinheiro)

 

de forma de deletéria e irresponsável. O pobre da minha Carlota, por exemplo, foi proibido de entrar na casa dos meus avós porque, quando ela lhe meteu dez tostões na palma recomendando, maternal, preocupada com a saúde do seu animal doméstico

 

- Agora veja lá, não gaste tudo em vinho

 

o atrevido lhe respondeu, malcriadíssimo:

 

- Não, minha senhora, vou comprar um Alfa-Romeo

 

Os filhos dos pobres definiam-se por não irem à escola, serem magrinhos e morrerem muito. Ao perguntar as razões destas características insólitas foi-me dito com um encolher de ombros

 

- O que é que o menino quer, esta gente é assim

 

e eu entendi que ser pobre, mais do que um destino, era uma espécie de vocação, como ter jeito para jogar bridge ou para tocar piano.

 

Ao amor dos pobres presidiam duas criaturas do oratório da minha avó, uma em barro e outra em fotografia, que eram o padre Cruz e a Sãozinha, as quais dirigiam a caridade sob um crucifixo de mogno. O padre Cruz era um sujeito chupado, de batina, e a Sãozinha uma jovem cheia de medalhas, com um sorriso alcoviteiro de actriz de cinema das pastilhas elásticas, que me informaram ter oferecido exemplarmente a vida a Deus em troca da saúde dos pais. A actriz bateu a bota, o pai ficou óptimo e, a partir da altura em que revelaram este milagre, tremia de pânico que a minha mãe, espirrando, me ordenasse

 

- Ora ofereça lá a vida que estou farta de me assoar

 

e eu fosse direitinho para o cemitério a fim de ela não ter de beber chás de limão.

 

Na minha ideia o padre Cruz e a Saõzinha eram casados, tanto mais que num boletim que a minha família assinava, chamado «Almanaque da Sãozinha», se narravam, em comunhão de bens, os milagres de ambos que consistiam geralmente em curas de paralíticos e vigésimos premiados, milagres inacreditavelmente acompanhados de odores dulcíssimos a incenso.

 

Tanto pobre, tanta Sãozinha e tanto cheiro irritavam-me. E creio que foi por essa época que principiei a olhar, com afecto crescente, uma gravura poeirenta atirada para o sótão que mostrava uma jubilosa multidão de pobres em torno da guilhotina onde cortavam a cabeça aos reis"

 

 

António Lobo Antunes, Os Pobrezinhos

in Livro de Crónicas



publicado por Cleópatra M.P. às 00:00
link do post | comentar | favorito!

Domingo, 21 de Outubro de 2012

 

 

 

* * *

 

NUNCA ATRAIR A ATENÇÃO!

 

* * *

 

"(...) Que o comportamento mais correcto era contentar-se com a situação existente. Mesmo que fosse possível melhorar alguns pormenores - mas isso é uma superstição absurda -, ter-se-ia obtido, na melhor das hipóteses, alguma coisa para os casos futuros, mas seria à custa de um enorme prejuízo causado a si próprio, chamando a especial atenção dos funcionários que estão sempre à espera de vingança. Nunca atrair a atenção! Manter-se calmo, mesmo que isso seja contra a sua natureza! Tentar compreender que este grande organismo judicial se mantém de certo modo eternamente suspenso, e que quando alguém altera algo no seu local, por sua livre vontade, retira o terreno debaixo dos pés, estando sujeito a precipitar-se, enquanto o grande organismo compensa facilmente noutro local a pequena perturbação - pois tudo está ligado - e mantém-se inalterado, quando não se torna - o que até é provável - ainda mais fachado, ainda mais atento, ainda mais rigoroso, ainda mais perverso."

 

 

Franz Kafka, in O Processo, 1914

Bertrand Editora - Colecção 11x7, pp.143

 

 

publicado por Cleópatra M.P. às 00:00
link do post | comentar | favorito!

Sexta-feira, 30 de Março de 2012
 

 

* * *

BOM AMIGO.jpg

 

* * *

 

 

O livro é um mudo que fala,

 

um surdo que responde,

 

um cego que guia, um morto que vive.

 

 

 

António Vieira

publicado por Cleópatra M.P. às 00:01
link do post | comentar | favorito!

Segunda-feira, 22 de Agosto de 2011

 

 

* * *

 

 

* * *

 

    Depois de eu ter partido de África, Gustav Mohr escreveu-me acerca de uma coisa estranha que se passava com a sepultura de Denys, uma coisa diferente de tudo o que já ouvira contar. “Os massais”, escreveu ele, “referiram ao comissário distrital de Ngongo que, muitas vezes, ao nascer e ao pôr do Sol, viram leões sobre a sepultura de Finch-Hatton nas montanhas. Um leão e uma leoa foram até lá e estiveram muito tempo de pé, ou deitados, em cima da campa. Alguns indianos que por ali passaram de camião ou a caminho de Kajado também os viram. Depois da sua partida, o terreno em redor da campa foi nivelado, tornando-se uma espécie de grande terraço. Suponho que o sítio se tornou de grado dos leões, pois dali avistam toda a planície com o gado e os animais selvagens.”

    Era justo e correcto os leões irem até à campa de Denys, transformando-a num monumento africano. “E que afamado seja teu túmulo.” O próprio Lorde Nelson, pensei eu, em Trafalgar Square, só tem leões de pedra.

 

 

Karen Blixen, in África Minha, pp.330-331

 

 

 

publicado por Cleópatra M.P. às 00:24
link do post | comentar | favorito!

Domingo, 8 de Maio de 2011

 

Um texto com mais de uma centena de anos!

Vale a pena ler. Aliás, vale a pena ler o livro inteiro.

 

 

* * *

 

 

* * *

 

"Uma grande parte da população limita-se nos dias de hoje a vegetar num torpor sombrio e insensível. (...) A grande valorização do minuto, a urgência, motivo mais importante da nossa vida, é sem sombra de dúvida o mais perigoso inimigo da alegria. É esboçando um sorriso nostálgico que lemos os idílios e viagens sentimentais de épocas já passadas. Não tinham os nossos avós tempo para tudo? Quando um dia li a écloga de Friedrich Schlegel acerca do ócio, não consegui evitar este pensamento: o quanto não terias tu suspirado se tivesses de fazer o ttrabalho que nós fazemos!

 

Parece triste, todavia inevitável, que essa pressa da vida que actualmente levamos nos haja influenciado de modo tão agressivo e prejudicial desde a mais tenra idade. Infelizmente, essa precipitação da vida moderna também já há muito se apoderou do nosso parco lazer; a nossa maneira de apreciar algo fica pouco a dever ao nervosismo e à extenuante entrega com que nos dedicamos ao trabalho. 'O mais possível, o mais rápido possível', eis o lema. Resulta daí sempre cada vez mais entretenimento, mas cada vez menos alegria."

 

Hermann Hesse, Da Felicidade, 1899

 

 

publicado por Cleópatra M.P. às 00:32
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito!

Segunda-feira, 2 de Maio de 2011

 

 

* * *

 

 

* * *

 

"Seguindo Mary (...), Amos parecia abalado.

- Mary, minha querida, o que vais fazer? O que tens em mente?

Mary inspirou profundamente.

- Algo de que me irei arrepender para o resto da vida."

 

 

Leila Meacham, Rosas, pp.222

 

 

publicado por Cleópatra M.P. às 22:40
link do post | comentar | favorito!

Sexta-feira, 8 de Abril de 2011

 

 

* * *

 

 

 * * *

 

Certa vez houve uma inundação numa imensa floresta. O choro das nuvens que deveriam promover a vida dessa vez anunciou a morte. Os grandes animais bateram em retirada fugindo do afogamento, deixando até os filhos para trás. Devastavam tudo o que estava à frente. Os animais menores seguiam seus rastros. De repente uma pequena andorinha, toda ensopada, apareceu na contramão procurando a quem salvar.

”As hienas viram a atitude da andorinha e ficaram admiradíssimas. Disseram: ’Você é louca! O que poderá fazer com um corpo tão frágil?’. Os abutres bradaram: ’Utópica! Veja se enxerga a sua pequenez!’. Por onde a frágil andorinha passava, era ridicularizada. Mas, atenta, procurava alguém que pudesse resgatar. Suas asas batiam fatigadas, quando viu um filhote de beija-flor debatendo-se na água, quase se entregando. Apesar de nunca ter aprendido a mergulhar, ela se atirou na água e com muito esforço pegou o diminuto pássaro pela asa esquerda. E bateu em retirada, carregando o filhote no bico.

”Ao retornar, encontrou outras hienas, que não tardaram a declarar: ’Maluca! Está querendo ser heroína!’. Mas não parou; muito fatigada, só descansou após deixar o pequeno beija-flor em local seguro. Horas depois, encontrou as hienas embaixo de uma sombra. Fitando-as nos olhos, deu a sua resposta: ’Só me sinto digna das minhas asas se eu as utilizar para fazer os outros voarem’.”

 

Sejam dignos das suas asas. É na insignificância que se conquistam os grandes significados, é na pequenez que se realizam os grandes atos.

 

 

Augusto cury, O vendedor de Sonhos

 

publicado por Cleópatra M.P. às 11:20
link do post | comentar | favorito!

Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2011

 

 

Um livro excelente que li na adolescência, e que tenho sempre por perto. De vez em quando, abro-o aleatoriamente e leio um bom bocado. E fico deliciada com as notas que escrevi naquela época, nos bordos das páginas...

 

 

* * * 

  

"Embora tivesse de me deitar cedo, às vezes, no inverno, via as estrelas. Costumava olhar para elas, cintilantes e distantes, e ficava a pensar o que é que elas eram. Perguntava a miúdos mais velhos e a adultos, que normalmente só me respondiam: 'São luzes no céu, pazinho.' Que eram luzes no céu também eu via. Mas o que eram elas? Simples lampadazinhas suspensas? Para quê? Sentia uma certa pena delas: uma banalidade cujo enigma eu de certo modo escondia dos meus indiferentes companheiros. Tinha de haver uma resposta mais profunda.

Mal atingi a idade necessáia, os meus pais deram-me o meu primeiro cartão de biblioteca. Parece-me que a biblioteca era na Rua 85, para mim terreno estranho. Imediatamente pedi à bibliotecária alguma coisa que falasse de estrelas. E ela voltou com um livro ilustrado com retratos de homens e mulheres com nomes como Clark Gable e Jean Harlow. Eu reclamei e, por alguma razão que na altura não percebi, ele sorriu e foi buscar outro livro - um dos que eu queria. Abri-o de respiração suspensa e li até encontrar. O livro dizia uma coisa espantosa, um enorme pensamento. Dizia que as estrelas eram sóis, só que muito distantes. O Sol era uma estrela, mas próxima. (...) Não tinha a mínima hipótese de calcular a distância até às estrelas. Mas sabia que, se as estrelas eram sóis, tinham de estar muito, muito longe - mais longe que a Rua 85, mais longe do que Manhattan, provavelmente mais longe do que a Nova Jérsia. O cosmos era muito maior do que eu tinha imaginado. (...) Então, nesse caso, pensei eu, é legítimo pensar que as outras estrelas também têm planetas, que ainda não detectámos, e que alguns dessoutros planetas devem ter vida (porque não?), um tipo de vida provavelmente diferente daquela que nós conhecemos, a vida em Brooklyn. E assim decidi que havia de ser astrónomo, estudar as estrelas e planetas e, se pudesse, ir visitá-los. (...)

O que são as estrelas? É uma pergunta tão natural como o sorriso duma criança. E nós sempre a fizemos. O que distingue a nossa época é que, finalmente, sabemos algumas das respostas. (...)

O que é que os nossos antepassados julgavam que eram as estrelas?"

  

  

Carl Sagan (1934 - 1996)

in Cosmos, Edição Gradiva, pp.194-196

  

 

* * *

 


Unreleased music suite - Cosmos Special Edition 1986 by Vangelis

 

 

* * *

publicado por Cleópatra M.P. às 00:37
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito!

Sábado, 12 de Fevereiro de 2011

 

 

Mais um excelente livro de Colleen McCullough!

 

A continuação do clássico Orgulho e Preconceito de Jane Austen.

 

 

 

* * *

 

* * *

 

 

'Toda a gente conhece a história de Elizabeth Bennet, que se casou com Mr. Darcy em "Orgulho e Preconceito".

Mas o que aconteceu a Mary, a sua irmã? Todas as irmãs de Mary conquistaram o seu destino: Jane tem um casamento feliz e uma grande família; Lizzie e Mr. Darcy ganharam uma extraordinária reputação social; Lydia conquistou uma reputação bem diferente; e Kitty é requisitada pelos salões mais luxuosos de Londres. Mary, por outro lado, é uma mulher transformada, agora independente de obrigações familiares. Decide escrever um livro onde põe a nu os males do seu país e o drama dos pobres. Mas as suas viagens de pesquisa irão colocar em risco a sua própria vida – e acabarão por lançá-la nos braços do homem que a inspirou. Da brilhante escritora Colleen McCullough, autora de "Pássaros Feridos", um livro de aventuras e romance, em que uma mulher forte e independente deixa a sua marca no mundo.'

 

 

publicado por Cleópatra M.P. às 22:02
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito!

Terça-feira, 1 de Fevereiro de 2011

 

Excelente!

 

De Colleen McCullough.

 

 

 

* * *

 

* * *

 

 

'Chegada a Sidney depois de uma difícil viagem, Elizabeth Drummond, de 16 anos, encontra-se com o seu futuro marido e descobre, para sua infelicidade, que ele a assusta e repugna. Sem outra hipótese, casa com ele e fica relegada numa quinta algures no imenso campo australiano. Nem sequer faz ideia que ele mantém uma amante, a sensual e extrovertida Ruby Costevan.'
 
 
publicado por Cleópatra M.P. às 17:41
link do post | comentar | favorito!

Sexta-feira, 14 de Janeiro de 2011

 

 Um livro fantástico, de Charlotte Brontë.

 

 

* * *

 

 

* * *

 

'Charlotte Brontë conseguiu uma fusão perfeita entre o realismo e o romance, incorporando dois temas que persistem no inconsciente colectivo porque expressam aspirações humanas permanentes: o mito de Cinderela, a rapariga pobre e oprimida que casa com o príncipe poderoso, e o mito do sucesso: a recém-chegada sofre, persevera e triunfa da adversidade.'

 

 

publicado por Cleópatra M.P. às 09:38
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito!

Segunda-feira, 3 de Janeiro de 2011

 

 

"Quando entraste nas nossas vidas, as nossas histórias já estavam contadas"

 

in Rosas, pp.30

 

 

Recomendo vivamente.

 

Acabei de ler e adorei.

 

Um livro de Leila Meacham.

 

* * *

 

 

* * *

 

'Uma saga épica de segredos, lutas de poder e paixões proibidas. Abarcando grande parte do século XX, "Rosas" conta a história das poderosas famílias fundadoras da cidade de Howbutker, no Texas, e de como as suas histórias permaneceram entrelaçadas ao longo de três gerações. Quando Mary Toliver, de dezasseis anos, herda do pai a plantação de algodão, surgem as primeiras sementes da discórdia. Ao tornar-se a nova dona de Somerset, Mary trai a mãe, Darla, e o irmão, Miles, e a dinastia Toliver nunca mais recupera. E quando Mary e o magnata da madeira, Percy Warwick, decidem não casar, embora loucamente apaixonados, esta decisão irá ter consequências tristes e trágicas, não só para eles, mas para as futuras gerações das suas famílias.'
 
 
publicado por Cleópatra M.P. às 20:11
link do post | comentar | favorito!

Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010

 

 

* * *

 

 

* * *

 

 

- Ela disse que dançaria comigo se eu lhe levasse rosas vermelhas – exclamou o Estudante – mas estamos no inverno e não há uma única rosa no jardim...

Por entre as folhas, do seu ninho, no carvalho, o Rouxinol o ouviu e, vendo-o ficou admirado...

- Não há nenhuma rosa vermelha no jardim! – disse o Estudante, com os olhos cheios de lágrimas. – Ah! Como a nossa felicidade depende de pequeninas coisas! Já li tudo quanto os sábios escreveram. A filosofia não tem segredos para mim e, contudo, a falta de uma rosa vermelha é a desgraça  da minha vida.

Eis, afinal, um verdadeiro apaixonado! – disse o Rouxinol. Tenho cantado o Amor noite após noite, sem conhecê-lo no entanto; noite após noite falei dele às estrelas, e agora o vejo... O cabelo é negro como a flor do jacinto e os lábios vermelhos como a rosa que deseja; mas o amor pôs-lhe na face a palidez do marfim e o sofrimento marcou-lhe a fronte.

- Amanhã à noite o Príncipe dá um baile, murmurou o Estudante, e a minha amada se encontrará entre os convidados. Se levar uma rosa vermelha, dançará comigo até a madrugada. Somente se lhe levar uma rosa vermelha... Ah... Como queria tê-la em meus braços, sentir-lhe a cabeça no meu ombro e a sua mão presa a minha. Não há rosa vermelha em meu jardim... e ficarei só; ela apenas passará por mim... Passará por mim... e meu coração se despedaçará.

- Eis um verdadeiro apaixonado... – pensou o Rouxinol. – Do que eu canto, ele sofre. O que é dor para ele é alegria para mim. Grande maravilha, na verdade, é o Amar! Mais precioso que esmeraldas e mais caro que opalas finas. Pérolas e granada não podem comprá-lo, nem se oferece nos mercados. Mercadores não o vendem, nem o conferem em balanças a peso de ouro.

- Os músicos da galeria – prosseguiu o Estudante – tocarão nos seus instrumentos de corda e, ao som de harpas e violinos, minha amada dançará. Dançará tão leve, tão ágil, que seus pés mal tocarão o assoalho e os cortesãos, com suas roupas de cores vivas, reunir-se-ão em torno dela. Mas comigo não bailará, porque não tenho uma rosa vermelha para dar-lhe... – e atirando-se à relva, ocultou nas mãos o rosto e chorou.

- Por que está chorando? – perguntou um pequeno lagarto ao passar por ele, correndo, de rabinho levantado.

- É mesmo! Por que será? – Indagou uma borboleta que perseguia um raio de sol.

- Por quê? – sussurrou uma linda margarida à sua vizinha.

- Chora por causa de uma rosa vermelha, - informou o Rouxinol.

- Por causa de uma rosa vermelha? – exclamaram – Que coisa ridícula! E  o lagarto, que era um tanto irônico, riu à vontade.

Mas o Rouxinol compreendeu a angústia do Estudante e, silencioso, no carvalho, pôs-se a meditar sobre o mistério do Amor.

Subitamente, abriu as asas pardas e voou.

Cortou, como uma sombra, a alameda, e como uma sombra, atravessou o jardim.

Ao centro do relvado, erguia-se uma roseira. Ele a viu. Voou para ela e posou num galho.

- Dá-me uma rosa vermelha – pediu – e eu cantarei para ti a minha mais bela canção!

- Minhas rosas são brancas; tão brancas quanto a espuma do mar, mais brancas que a neve das montanhas. Procura minha irmã, a que enlaça o velho relógio-de-sol. Talvez te ceda o que desejas.

Então o Rouxinol voou para a roseira, que enlaçava o velho relógio-de-sol.

- Dá-me  uma rosa vermelha – pediu – e eu te cantarei minha canção mais linda.

A roseira sacudiu-se levemente.

- Minhas rosas são amarelas como as cabelos dourados das donzelas, ainda mais amarelas que o trigo que cobre os campos antes da chegada de quem o vai ceifar. Procura a minha irmã, a que vive sob a janela do Estudante. Talvez ela possa te possa ajudar.

O Rouxinol então, dirigiu o vôo para  a roseira que crescia sob a janela do Estudante.

- Dá-me uma rosa vermelha – pediu - e eu te cantarei a mais linda de minhas canções.

A roseira sacudiu-se levemente.

- Minhas rosas são vermelhas, tão vermelhas quanto os pés das pombas, mais vermelhas que os grandes leques de coral que oscilam nos abismos profundos do oceano. Contudo, o inverno regelou-me até as veias, a geada queimou-me os botões e a tempestade quebrou-me os galhos. Não darei rosas este ano.

- Eu só quero uma rosa vermelha, repetiu o Rouxinol, - uma só rosa vermelha. Não haverá meio de obtê-la?

- Há, respondeu  a Roseira, mas é meio tão terrível que não ouso revelar-te.

- Dize. Não tenho medo.

- Se queres uma rosa vermelha, explicou a roseira, hás de fazê-la de música, ao luar, tingi-la com o sangue de teu coração. Tens de cantar para mim com o peito junto a um espinho. Cantarás toda a noite para mim e o espinho deve ferir teu coração e teu sangue de vida deve infiltrar-se em minhas veias e tornar-se meu.

- A morte é um preço exagerado para uma rosa vermelha – exclamou o Rouxinol – e a Vida é preciosa... É tão bom voar, através da mata verde e contemplar o sol  em seu esplendor dourado e a lua em seu carro de pérola...O aroma do espinheiro é suave, e suaves são as campânulas ocultas no vale, e as urzes tremulantes na colina. Mas o Amor é melhor que a Vida. E que vale o coração de  um pássaro comparado ao coração de um homem?

Abriu as asas pardas para o vôo e ergueu-se no ar. Passou pelo jardim como uma sombra e, como uma sombra, atravessou a alameda.

O Estudante estava deitado na relva, no mesmo ponto em que o deixara, com os lindos olhos inundados de lágrimas.

- Rejubila-te – gritou-lhe o Rouxinol – Rejubila-te; terás a tua rosa vermelha. Vou fazê-la de música, ao luar. O sangue de meu coração a tingirá. Em conseqüência só te peço que sejas sempre verdadeiro amante, porque o Amor é mais sábio do que a Filosofia; mais poderoso que o poder.. Tem as asas da cor da chama e da cor da chama tem o corpo. Há doçura de mel em seus braços e seu hálito lembra o incenso.

O Estudante ergueu a cabeça e escutou. Nada pode entender, porém, do que dizia o Rouxinol, pois sabia apenas o que está escrito nos livros.

Mas o Carvalho entendeu e ficou melancólico, porque amava muito o pássaro que construíra ninho em seus ramos.

- Canta-me um derradeiro canto – segredou-lhe – sentir-me-ei tão só depois da tua partida.

Então o Rouxinol cantou para o Carvalho, e sua voz fazia lembrar a água a borbulhar de uma jarra de prata.

Quando o canto finalizou, o Estudante levantou-se, tirando do bolso um caderninho de notas e um lápis.

- Tem classe, não se pode negar – disse consigo – atravessando a alameda. Mas terá sentimento? Não creio. É igual a maioria dos artistas. Só estilo, sinceridade nenhuma. Incapaz de sacrificar-se por outrem. Só pensa e cantar e bem sabemos quanto a Arte é egoísta. No entanto, é forçoso confessar, possui maravilhosas notas na voz. Que  pena não terem significação alguma, nem realizarem nada realmente bom!

Foi para o quarto, deitou-se e, pensando na amada, adormeceu.

Quando a lua refulgia no céu, o Rouxinol voou para a Roseira e apoiou o peito contra o espinho. Cantou a noite inteira e o espinho mais e mais foi se enterrando em seu peito, e o sangue de sua vida lentamente se escoou...

Primeiro descreveu o nascimento do amor no coração de um menino e uma menina; e, no mais alto galho da Roseira, uma flor desabrochou, extraordinária, pétala por pétala, acompanhando um canto e outro canto. Era pálida, a princípio, qual a névoa que esconde o rio, pálida qual os  pés da manhã e as asas da alvorada. Como sombra de rosa num espelho de prata, como sombra de rosa em água de lagoa era a rosa que apareceu no mais alto galho da Roseira.

Mas a Roseira pediu ao Rouxinol que se unisse mais ao espinho. – Mais ainda, Rouxinol, - exigiu a Roseira, - senão o dia raia antes que eu acabe a rosa.

O Rouxinol então apertou ainda mais o espinho junto ao peito, e cada vez mais profundo lhe saía o canto porque ele cantava o nascer da paixão na alma do homem e da mulher.

E tênue nuance rosa nacarou as pétalas, igual ao rubor que invade a face do noivo quando beija a noiva nos lábios.

Mas o espinho não lhe alcançava ainda o coração e o coração da flor continuava branco – pois somente o coração de um Rouxinol pode avermelhar o coração de rosa.

- Mais ainda, Rouxinol, - clamou a Roseira – raiar o dia antes que eu finalize a rosa.

E o Rouxinol, desesperado, calcou-se mais forte no espinho, e o espinho lhe feriu o coração, e uma punhalada de dor o traspassou.

Amarga, amarga lhe foi a angústia e cada vez mais fremente foi o canto, porque ele cantava o amor que a morte aperfeiçoa, o amor que não morre nem no túmulo.

E a rosa maravilhosa tornou-se purpurina como a rosa do céu oriental. Suas pétalas ficaram rubras e, vermelho como um rubi, seu coração.

Mas a voz do Rouxinol se foi enfraquecendo, as pequeninas asas começaram a estremecer e uma névoa cobriu-lhe o olhar, o canto tornou-se débil e ele sentiu qualquer coisa apertar-lhe a garganta.

Então, arrancou do peito o derradeiro grito musical.

Ouviu-o a lua branca, esqueceu-se da Aurora e permaneceu no céu.

A rosa vermelha o ouviu, e trêmula de emoção, abriu-se à aragem fria da manhã. Transportou-o o Eco, à sua caverna purpurina, nos montes, despertando os pastores de seus sonhos. E ele levou-os através dos caniços dos rios e eles transmitiram sua mensagem ao mar.

- Olha! Olha! Exclamou a Roseira. – A rosa está pronta, agora.

Ao meio dia o Estudante abriu a janela e olhou.

- Que sorte! – disse – Uma rosa vermelha! Nunca vi rosa igual em toda a minha vida. É tão linda que tem certamente um nome complicado em latim. E curvou-se para colhê-la.

Depois, pondo o chapéu, correu à casa do professor.

- Disseste que dançarias comigo se eu te trouxesse uma rosa vermelha, - lembrou o Estudante. – Aqui tens a rosa mais linda e vermelha de todo o mundo. Hás de usá-la, hoje a noite, sobre ao coração, e quando dançarmos juntos ela te dirá o quanto te amo.

A moça franziu a testa.

- Esta rosa não combina com o meu vestido, disse. Ademais, o Capitão da Guarda mandou-me jóias verdadeiras, e jóias, todos sabem, custam muito mais do que flores...

- És muito ingrata! – exclamou o Estudante, zangado. E atirou a rosa a sarjeta, onde a roda de um carro a esmagou.

- Sou ingrata? E o senhor não passa de um grosseirão. E, afinal de contas, quem és? Um simples estudante... não acredito que tenhas fivelas de prata, nos sapatos, como as tem o Capitão da Guarda... – e a moça levantou-se e entrou em casa.

- Que coisa imbecil, o Amor! – Resmungou o estudante, afastando-se. – Nem vale a utilidade da Lógica, porque não prova nada, está sempre prometendo o que não cumpre e fazendo acreditar em mentiras. Nada tem de prático e como neste século o que vale é a prática, volto à Filosofia e vou estudar metafísica.

Retornou ao quarto, tirou da estante um livro empoeirado e pôs-se a ler...

 

 

Oscar Wilde, O Rouxinol e a Rosa

 

 

publicado por Cleópatra M.P. às 15:32
link do post | comentar | favorito!

Quarta-feira, 10 de Novembro de 2010

 

 

 

13 viagens num livro?

 

Eu vou ler!

 

 

* * *

 

"A Matemática é como o sexo: só se aprende com a prática, diz o matemático Jorge Buescu, citando um antigo professor. Não há atalhos, é preciso treino e persistência, mas pode ser um caminho muito interessante, garantem os autores de "Treze viagens pelo mundo da Matemática".

 

Escrito por dezenas de professores de Matemática, a obra, lançada ontem, terça-feira, no Porto, aborda diversos temas que, não tendo correspondência directa com os programas do Secundário, podem ser "valiosos instrumentos para dar cor às aulas", na opinião de Nuno Crato, que prefacia a obra.

 

Para os puristas da Matemática, querer demonstrar a sua beleza recorrendo à sua aplicabilidade é tão irritante como perguntar a um poeta a utilidade de um soneto, diz António Machiavelo, autor de um dos 13 capítulos que compõem o livro editado por Carlos Correia de Sá e Jorge Rocha, professores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Todavia, provar algumas das utilizações práticas pode ser uma via para interessar os jovens por uma disciplina tão mal-amada.

 

Jorge Buescu, que fez a apresentação da obra, acredita que "a Matemática pode ser sexy" para os jovens se os desafiar a descobrir que "o mundo de hoje  - o Google, os telemóveis, os cartões de crédito  - baseia-se em códigos matemáticos", que podem ser compreendidos.

 

Os editores contam, na introdução do livro, que o jovem príncipe Alexandre da Macedónia terá questionado o seu mestre se não seria possível aprender geometria de forma mais célere. O geómetra Menecmo terá respondido que "não há estrada real para a geometria", referindo-se à via que ligava Susa a Sardis (correspondente às vias de alta velocidade dos nossos dias). Não havia na Antiguidade e continua a não haver agora, no tempo da internet e das potentes máquinas de cálculo. "Não se aprende sem esforço", sublinha Carlos Correia de Sá."

 

Helena Norte, in JN, 10.11.2010

 

 

VER NOTÍCIA AQUI

 

 

 ... e tenho o prazer de conhecer pessoalmente

 alguns autores do livro, o que certamente

 tornará a leitura bastante interessante!

 

publicado por Cleópatra M.P. às 13:27
link do post | comentar | favorito!

Segunda-feira, 11 de Outubro de 2010

 

 

África!

 

África Minha!

 

Acreditem ou não, já vi este filme mais de 

20 vezes... sim, isso mesmo: v i n t e!

 

Quando eu gosto, adoro!

 

Recomendo também o livro. 

 

 

 

.

 

* * *

 

 

 

 

 

* * *

 

 

 

 

 

 .

* * *

 

 

* Out of Africa - End Title *

 

   

 

* * *  

 

.

* * *

 

 

 

A banda sonora do filme é  f a n t á s t i c a.

 John Barry.

 

 

.

publicado por Cleópatra M.P. às 15:50
link do post | comentar | favorito!

Sexta-feira, 24 de Setembro de 2010

 

 

 

* * *

 

 

 

 

 

* * *

 

A natureza é o único livro que

 

oferece um conteúdo valioso

 

em todas as suas folhas.

 

 

Johann Goethe

 

publicado por Cleópatra M.P. às 10:35
link do post | comentar | favorito!

Quinta-feira, 9 de Setembro de 2010

 

 

 

* * *

 

 

 

 

  * * * 

 

"(...) a humanidade é muito estranha. Que mais? Explicar que sou um grande homem e não digo que sou uma grande mulher pela mesma razão por que não existe onço, só onça, nem foco, só foca, tudo isso é um bobajol de quem não tem o que fazer ou fica preso a idiossincrasias da língua, como aquelas cretinas feministas americanas que queria mudar history para herstory, como se o his do começo da palavra fosse a mesma coisa que um pronome possessivo do gênero masculino, a imbecilidade humana não tem limites. Sou um grande homem fêmea, da mesma forma que os grandes homens machos são grandes homens machos, fica-se catando picuinha porque o nome da espécie é por acaso masculino e não neutro, como é possível que seja em alguma outra língua, como se a gramática resolvesse alguma coisa nesse caso. Explicar isso, não existem grandes homens e grandes mulheres, existem grandes homens machos e grandes homens fêmeas. não há nada mais ridículo do que galeria de grandes mulheres, isso e aquilo, fico morta de vergonha. A espécie é humana, como Panthera uncius, Panthera leo, um onça, no feminino por acaso, outro leão, no masculino por acaso, uma questão de língua exclusivamente. Explicar isso como quem explica a um marciano. A um terráqueo. Escuta aqui, terráqueo, deixa de ser débil mental. Bem, ambições inúteis (...). Que mais? Nada, (...)"

 

 

João Ubaldo Ribeiro, in "A Casa dos Budas Ditosos", pp.23-24

 

 

 

publicado por Cleópatra M.P. às 18:42
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito!

Março 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
11

12
13
14
15
16
17
18

19
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30
31


Tradutor | Translator
Free counters!